7 de janeiro de 2015

Quando alguém resolveu aparecer de novo

Eu já comecei a escrever inúmeros posts de 'retorno' para postar por aqui. Não foi por falta de vontade ou por um mísero esquecimento. Esse lugarzinho na internet já me acompanha desde 2011 e não é uma existência que eu posso tão facilmente esquecer. Escrever sobre livros por aqui me faz muito feliz.

O que aconteceu tem muita relação com um post que eu escrevi no início de setembro onde eu falo um pouco sobre as mudanças que aconteceram na minha vida. Uma das maiores foi a faculdade e acabou sendo uma mudança que virou prioridade e consumiu muito do meu tempo. O final do meu segundo semestre foi uma experiência e tanto, acho que nunca tinha uma carga de provas e trabalhos tão grande antes e eu tentei lidar com tudo da melhor maneira possível. Honestamente eu não acho que realmente tenha conseguido lidar com tudo da maneira mais mentalmente saudável possível, mas eu cheguei no final que queria. Não necessariamente com o melhor caminho, mas isso tentarei arrumar no próximo 'fim de semestre'.

Bem, eu acabei reorganizando prioridades. O blog acabou sendo deixado de lado. Os livros não, mas chegou um momento que eu não me via mais em condições de escrever uma resenha de qualidade quando tinha inúmeros trabalhos para escrever e eu não me via em condições de sentar na frente de uma câmera e gravar um vídeo. Simplesmente não encaixou com a minha vida dos últimos meses. 

É estranho voltar a escrever por aqui, preciso confessar. Esse blog me acompanha a muito tempo e eu mudei tanto desde 2011 que é um pouco assustador pensar em tudo que aconteceu nesse meio tempo. Não é minha meta de ano novo voltar a postar com mais frequência por aqui, isso vai acontecer se o andamento da vida permitir. Uma das minhas metas é não me forçar a fazer coisas que eu não me sinto confortável em fazer, isso vale para todos os inúmeros aspectos da vida que essa frase possa vir a ter sentido. Não vou escrever posts por sentir que preciso escrever, mas por sentir que eu quero. Como esse. 

Também, o subtítulo do blog agora é 'livros e outros pensamentos aleatórios'. Outros pensamentos aleatórios eu chamava antes de 'vagalumes', mas o sentido original do porquê 'vagalumes' já não tem mais sentido para mim. Contudo, quem acompanha o blog desde o início sabe que eu escrevia sobre assuntos além dos livros e eu acho que isso vai voltar. Provavelmente falando sobre a faculdade, já que ela é uma parte grande e uma experiência nova. 

Enfim, depois de todo esse blá blá blá. Se quiserem sugerir assuntos para futuros posts, por favor, sintam-se super a vontade. Se é que ainda existe alguém aí do outro lado da tela que se interessa por essas palavrinhas. 

Antes de dar sinal de vida no blog, eu apareci lá no youtube:



E minha nova tentativa dos '12 livros para 2015' (spoilers do vídeo, minha meta de 2014 foi um fracasso)

Como anda a vida de vocês?

Gabi

29 de setembro de 2014

Resenha: Esta Valsa é Minha - Zelda Fitzgerald

“Esta Valsa é Minha” é um romance autobiográfico escrito por Zelda Fitzgerald em seis semanas enquanto ela esteve internada em um hospital psiquiátrico. Caio Fernando Abreu escreveu no prefácio da edição de 1986 que “Zelda escrevia para se justificar, para se compreender, para se salvar. Para orientar a si própria dentro daquele poço onde tinha caído e que, até hoje, por falta de outra palavra mais adequada, chamamos de ‘loucura’”.
Com trocas de nomes e profissões, Zelda conta um pouco da sua história. Como ela cresceu em uma cidade pequena, conheceu Scott Fitzgerald, casaram e logo depois Scott começou a ficar famoso por seus livros.
No livro, Zelda tem o nome de Alabama e Scott de David. No lugar da profissão de escritor temos um pintor famoso. É visível que Zelda tem um fluxo de pensamentos muito corridos durante a escrita do livro, tanto que é uma narrativa com pulos bem grandes a cada cena e sem muitas introduções. Um momento ela estar falando sobre uma cena x e logo na linha seguinte já mudar para outro lugar com outras pessoas.
“Um dia acordará para observar que as plantas dos jardins alpinos são, na sua maioria, fungos que não precisam de muito alimento, e que os discos brancos que perfumam a meia-noite não chegam a ser flores, apenas embriões em desenvolvimento”
Eu tenho certa fascinação por esse período da história e pelos Fitzgeralds. Li apenas O Grande Gatsby do Scott Fitzgerald, mas já foi o suficiente para entender a sociedade americana do entre guerras, ele tendo narrado tudo de uma forma brilhante. Zelda caracteriza essa sociedade no seu livro também, de uma forma maravilhosa.
“Alabama pensou em Joan. Estar apaixonada, concluiu, não passa de uma apresentação de nossos passados a outro individuo, pacotes na sua maioria de tão difícil manejo que não conseguimos mais lidar nem com os cordões soltos. Procurar amor é como pedir um novo ponto de partida, pensou, uma nova chance na vida”.
O casal se muda com a filha para Europa por um tempo após a Primeira Guerra Mundial e é onde vemos como financeiramente tudo era possível, a euforia e a bebida. Também, é quando Zelda resolve que precisa fazer alguma coisa de sua vida, não querendo mais viver na sombra do seu marido. Zelda resolve que quer ser bailarina e é uma parte muito forte no livro onde vemos ela se levando a exaustão completa em busca da perfeição.
“Por que passamos anos gastando os corpos para alimentar as mentes com experiência, para no final descobrir as mentes se voltando para os corpos exaustos em busca de consolo?”.
É uma narrativa cansativa. Com partes muito interessantes, muito boas e partes bem desnecessárias. Cenas longas, diálogos longos que acabam não acrescentando nada para o desenrolar do enredo. Contudo, devido às circunstâncias em que o livro foi escrito, acredito que isso acaba se tornando aceitável para o leitor que tem interesse na autora, na sua situação e na história que ela está tentando contar.

O livro conversou comigo de uma maneira interessante. Eu não esperava tirar tanto do livro como eu tirei, tantas cenas e passagens marcantes e tantos acontecimentos que me deixaram pensando bastante. Apesar das questões de narrativa e estrutura, foi uma leitura muito rica e válida. 

25 de setembro de 2014

Tag: Dia da Semana em Livros

Oi gente,

A última vez que eu postei uma tag foi lá em abril (quando eu percebi isso fiquei assustada como o tempo passou rápido) e finalmente eu consegui gravar outro vídeo desse estilo! Espero que vocês gostem.



Tag criada pela Pam do Garota It

Que vídeos/posts vocês gostariam de ver por aqui?

Gabi

20 de setembro de 2014

Resenha: Profissões para mulheres e outros artigos feministas - Virginia Woolf

“Profissões para mulheres e outros artigos feministas” é um livro que conta com sete escritos de Virginia Woolf. Foi meu primeiro contato com a obra de não ficção da autora e posso dizer que me surpreendi muito.
A autora viveu entre 1882 e 1941, contudo, a maneira como ela fala sobre o papel da mulher na sociedade e sobre o feminismo é extremamente atual e bastante avançada para época. 
O primeiro texto é chamado “Profissões para mulheres” e Woolf fala sobre as diferenças de ser escritora mulher na época em que ela começou a escrever. Ela fala sobre os bloqueios que as mulheres sofrem na hora de escrever honestamente sobre aquilo que desejam. 
“(...) Falando sem metáforas, ela pensou numa coisa, uma coisa sobre o corpo, sobre as paixões, que para ela, como mulher, era impróprio dizer. E a razão lhe dizia que os homens ficariam chocados (...) Pois, embora sensatamente os homens se permitam grande liberdade em tais assuntos, duvido que percebam ou consigam controlar o extremo rigor com que condenam a mesma liberdade nas mulheres”.
Para Virginia Woolf, as mulheres têm muitos fantasmas a combater e muitos preconceitos a vencer enquanto escreve. E que vai levar muito tempo até uma mulher conseguir exercer a profissão de escritora (e qualquer outra) sem fantasmas a combater no caminho.
O quarto texto consiste em uma troca de cartas entre Virginia Woolf e Desmond MacCarthy que havia publicado uma resenha onde comentava sobre a inferioridade da mulher comparando ao homem. A discussão dos dois levanta assunto como “se as mulheres são igualmente capazes, porque elas não abriram caminho com suas conquistas” e trás respostas de que “elas não tinham espaço para abrir esses caminhos sozinhas”.
O resenhista escreve em resposta a Woolf que “Nada me convencerá de que uma mulher, vivendo na mesma época e em condições mais favoráveis do que as deles, se tivesse mostrado a mesma capacidade e paixão intelectual instintiva, não teria feito o que eles fizeram” e sabemos que os homens tinham essa facilidade em ter acesso ao conhecimento porque não eram vistos como seres inferiores. O caminho deles não era preenchido por pedras e fantasmas.
Virginia Woolf responde que a única explicação que ela vê na ausência de boas e más escritoras é:
“não consigo conceber nenhuma razão a não ser alguma restrição externa a suas capacidades (...) Por que, a não ser que estivessem forçosamente proibidas, não expressaram esses talentos na literatura, na música ou na pintura?”
Outro ponto abordado pela autora nessa discussão, é que as mulheres precisam de liberdade de expressão, para que possam divergir dos homens sem receio, para que elas possam criar com a mesma liberdade dos homens e ver suas opiniões sendo respeitadas.

Comentei sobre esses dois artigos por terem sido meus favoritos e abordarem de forma abrangente as opiniões da autora. É um daqueles livros que você tem vontade de sair dando de presente para todo mundo porque vale muito a pena. Virginia Woolf aborda o feminismo de uma forma incrível e de uma forma extremamente honesta. É uma leitura muito recomendada, é um livro curto, rápido e simples de ser lido. É um livro com muito conteúdo e muitos tópicos importantes para discussões e para serem pensados.

16 de setembro de 2014

Book Haul: Agosto

Oi gente,

O blog até que não está mais tão abandonado nesses últimos dias e isso está me deixando bem feliz. Nas próximas semanas eu vou ter alguns momentos de folga ("folga") e pretendo gravar algumas tags, se quiserem deixar sugestões nos comentários eu agradeço!

Mas bem, para um mês com poucas leituras, agosto foi um mês onde vários livros novos ganharam um espaço aqui em casa (e felizmente setembro está sendo um mês bem mais controlado) Compartilho eles com vocês no vídeo:



Resenhas:
Isla and the happily ever after - Stephanie Perkins
A festa da insignificância - Milan Kundera

Poema da Maya Angelou


13 de setembro de 2014

Resenha: O que me faz pular - Naoki Higashida

Naoki Higashida escreveu “O que me faz pular” quando tinha treze anos. Ele é um menino autista que nas 186 páginas do livro responde perguntas comuns de pessoas sem a sua condição sobre o autismo e ainda podemos ler alguns pequenos contos escritos por ele.
O livro é escrito por meio de uma prancha de alfabeto, Naoki aponta para as letras e sua mãe o ajuda a ir formando as frases. A prancha é a melhor forma de comunicação que Naoki possui para dizer aos outros o que pensa e o que precisa.
A introdução do livro é escrita por David Mitchell, pai de um menino autista que conta como a leitura da versão em japonês de “O que me faz pular” fez com que ele conseguisse compreender melhor como seu filho pensava e assim, ele se sentiu mais capaz de ajudá-lo e de estar ao seu lado.
É uma introdução muito bonita, sincera e faz com que o leitor entenda a importância de procurar compreender o que uma pessoa sem a capacidade de comunicação deseja comunicar.
“Nem sempre dá para perceber só olhando para uma pessoa com autismo, mas nós nunca sentimos que nossos corpos de fato nos pertencem. Eles estão sempre agindo sozinhos e escapando de nosso controle. Aprisionados lá dentro, lutamos o tempo todo para que façam o que mandamos”
Naoki Higashida entende a sua condição. Ele entende como pode ser difícil para os outros lidarem com o seu modo de viver e entende que muitas vezes, ele não tem controle do próprio corpo e dos seus pensamentos. Ainda assim, em vários capítulos ele pede que não desistam dele. Ele precisa de ajuda, ele valoriza a ajuda que recebe – mesmo que não consiga verbalizar isso – e precisa que as pessoas fiquem ao seu redor, por mais difícil que seja.
“Quando notamos que vocês desistiram de nós, nos sentimos muito mal. Então, por favor, continuem nos ajudando, até o fim”
“O que me faz pular” é um livro escrito de uma forma simples, capítulos curtos e muita honestidade. É uma forma de acesso a pensamentos que não seriam acessados caso Naoki não fosse persistente com a aprendizagem da prancha de alfabeto.
Ao responder as cinquenta e oito perguntas sobre sua condição, Naoki explica o funcionamento da sua memória – que não é linear como a maioria das pessoas tem – como ele, muitas vezes não tem controle daquilo que faz, o motivo dele não olhar nos olhos das pessoas enquanto conversa, como é difícil e porque é difícil para ele conversar e se comunicar e diversos outros itens que nos fornece um entendimento muito interessante da sua condição de autista.

É um livro com muito conteúdo e que eu recomendo bastante para aqueles que têm interesse em conhecer mais sobre o autismo, explicado por um autista. 

10 de setembro de 2014

Estive pensando... A vida no momento

Ano passado, meu maior desejo era que o vestibular passasse e eu conseguisse ‘ler normalmente’ de novo. O ano passou, o vestibular acabou, eu entrei na faculdade e ‘ler normalmente’ de novo acabou não acontecendo.
E diferentemente do ano passado, eu não tenho um desejo de querer que meu ritmo de leitura volte a ser como antes. Por quê? As minhas prioridades acabaram sofrendo algumas alterações.
A faculdade exige a leitura de muitos (muitos, muitos, muitos) textos. Então eu estou lendo. Passo a maior parte dos meus dias lendo, mas não são livros. A maioria dos textos eu realmente gosto e eu realmente não leio por obrigação. Prioridade de leituras durante o semestre? São agora os textos da faculdade. Que conseguem se multiplicar de forma assustadora de uma semana para outra.
Conversando com uma amiga minha sobre como as minhas leituras estavam mais lentas, ela me disse algo que me deixou pensando. Ela me disse que a arte existe para preencher um espaço, existe para compensar a falta de algo e existia para me fazer companhia. A faculdade começou e com toda a loucura e confusão, muitas coisas mudaram na minha vida e eu me permiti dar uns saltos no desconhecido e arriscar um pouco.
Eu nunca tive um círculo de amigos, eu sempre fui mais sozinha e o meu lado social sempre foi bem parado. Tanto que eu sempre dizia como piada que o meu segredo para ler tanto era não ter vida social. A piada acabou se mostrando verdade.
A literatura ainda me deixa extremamente feliz, mas a novidade é que não é mais uma das minhas únicas fontes de felicidade. Essa fonte ficou em segundo plano. O espaço que existia para ela ficou menor e ele foi também ocupado por pessoas incríveis. E querem saber um segredo? Foi a melhor coisa que já me aconteceu.
Esse primeiro ano de faculdade está sendo muito difícil. Realmente difícil. Eu já pensei em desistir, já chorei, já me estressei (muito) e já entendi que eu amo psicologia e eu amo estudar isso. Posso dizer que esses últimos meses estão sendo os melhores que eu já tive. As minhas leituras estão mais lentas? Sim, mas eu não mudaria isso por nada.
O que eu estou lendo também mudou. Estou bem mais seletiva com quais são as minhas leituras do mês. É aquela ampliação de gêneros de leitura que eu já comentei aqui antes acontecendo.
É meio incrível como tudo acontece. É lindo como algumas coisas acontecem e é lindo como a vida vai mostrando caminhos, alternativas e rotas interessantes para se seguir. Eu estou gostando bastante da rota que eu estou seguindo no momento.
Se alguém me contasse ano passado que a minha vida estaria como está, eu teria certa dificuldade em acreditar. Mas está bem incrível e esse é o motivo das poucas leituras, poucas atualizações no blog e poucos vídeos no youtube.
Como está a vida de vocês?

1 de setembro de 2014

Leituras de Agosto

Oi gente,

Agosto foi um mês que eu passei praticamente todo meu tempo lendo, mas completei apenas três livros. Como isso? Todo o resto consiste em leituras de textos para faculdade. Não que isso seja uma reclamação, eu gosto dos textos da faculdade (não todos, obviamente, mas a maioria eu não penso 'queria estar lendo um livro').

Estou pensando também em escrever um post sobre mudanças de prioridades e o que 'ler' significa atualmente para mim, vocês iriam gostar? Também queria pedir sugestões de posts diferentes (alimentar o blog só com as resenhas não está dando muito certo). Podem deixar nos comentários aqui ou me enviar pelas redes sociais!

Mas enfim, eu li três livros em agosto e comentei um pouco sobre cada um no vídeo:

23 de agosto de 2014

Resenha: A festa da insignificância - Milan Kundera

“A festa da insignificância” foi meu primeiro contato com a narrativa de Milan Kundera. Não tenho como comparar com os outros livros do autor, mas achei bem diferente e interessante a maneira como ele apresentou alguns temas do cotidiano.
A ambientação do livro é em Paris e acompanhamos alguns dias de quatro amigos e a falta de sentido de suas vidas. Eles passeiam por jardins, observam as filas de museus, pensam sobre seus passados e futuros, vão a festas bizarras e o leitor vai acompanhando esse dia a dia.
Entre esses acontecimentos sem certa significância, o autor pincela discretamente temáticas que são interessantes de se pensar sobre. Kundera aborda a ideia de como as gerações mais novas não tem uma ideia completa dos acontecimentos históricos do passado e como esse desencontro de gerações promove discursos que nem sempre são entendidos por completo quando ditos por uns e ouvidos por outros a anos de distância.
“Quando Ramon explicara sua teoria sobre os observatórios erguidos cada um num ponto diferente da história a partir dos quais as pessoas se falam sem poder compreender umas às outras”
Um dos personagens lida com a doença da mãe e com a efemeridade da vida. Isso não é tratado pelo narrador como um acontecimento principal, como a festa que eles vão e as conversas sobre ideias para futuras peças de teatro. Eu vi nisso uma forma de dizer que as pessoas acabam colocando esses acontecimentos mais ‘distrativos’ antes de lidar com os problemas mais sérios. Esses sempre sendo adiados e adiados.
“Mas Charles ainda não estava pronto para enfrentar o fim; o fim, ele gostaria de adiar para mais tarde” .
Eu achei interessante e a minha interpretação do livro foi que as questões mais ‘sérias’ foram tratadas como secundárias. O livro é cheio de cenas engraçadas, piadas, personagens cômicos, mas não é um livro engraçado em si. Ao terminar, eu senti que toda a comédia foi apenas uma forma de encobrir a densidade. Kundera assim, faz um retrato incrível de como se vive a maioria dos dias. Ignorando a densidade da vida.
Gostei muito da narrativa do autor e da forma como ele abordou as insignificâncias da vida. É leve, mas com bastante conteúdo e eu recomendo muito a leitura.

Acredito que é um livro que pode ser interpretado de diversas maneiras, mas essa resenha reflete como eu vi a história e acho que seria interessante conversar sobre o enredo com mais gente que já tenha realizado a leitura. 

17 de agosto de 2014

Resenha: Isla and the happily ever after - Stephanie Perkins

O meu último contato com a narrativa da Stephanie Perkins foi em 2012 com a minha leitura de Lola e o Garoto da Casa ao Lado. Desde então eu venho esperando o próximo lançamento da autora agora eu finalmente pude ter meu coração preenchido com cenas fofas e personagens interessantes.
Em “Isla and the happily ever after” nós voltamos ao colégio interno que ambienta a história de “Anna e o Beijo Francês” para acompanhar o ano de Isla. Ela que é uma menina introspectiva, tímida e que tem uma quedinha por Josh.
O enredo do livro segue esse desenvolvimento de amizade/relacionamento entre os dois e diversas pedras que vão aparecer no caminho para o ‘felizes para sempre’.
A narrativa da Stephanie Perkins é adorável. Por mais que Isla não se tornou o meu favorito da autora, ainda é um livro que me deixou muito feliz. Feliz porque foi um livro leve, bem desenvolvido e com personagens interessantes de se ler sobre.
Isla é tímida. Ela tem medo de se arriscar na vida e seu último ano do Ensino Médio acaba fazendo com que ela tenha que tomar decisões sobre o seu futuro. Eu vi muitos traços da minha personalidade nela e a autora retratou muito bem o que é ter medo de arriscar, medo de sair da zona de conforto. Josh é um mocinho que tem várias camadas, que pode parecer uma pessoa que não se importa com nada, mas que no fundo, existem motivos e explicações.
O enredo é bem desenvolvido. Acho que algumas partes foram corridas demais e por mais que a Isla tenha me incomodado com o que ela faz na festa de natal, eu consigo entender o motivo pelo qual ela fez o que fez. É isso que eu gosto nos personagens da Stephanie Perkins, eles são reais e cometem erros reais.
As ações da Isla condizem com a personalidade insegura dela e isso a tornou uma personagem completa. Ela não se torna extrovertida e segura de si de uma hora para outra, existe um desenvolvimento gradual. A autora faz com que ela vá aprendendo com os erros e se conhecendo melhor.
Eu senti falta de personagens secundários mais significativos. Kurt, o melhor amigo de Isla, não preencheu esse espaço completamente e acho que essa parte poderia ter sido mais bem desenvolvida. Também, acho que Josh merecia um pouquinho mais de atenção, eu queria ter lido mais sobre a vida dele e sobre seus pensamentos e impressões.

Eu recomendo a leitura. Tanto desse quanto dos outros dois livros da autora, são jovens adultos contemporâneos leves, bem escritos e com personagens incríveis.