4 de maio de 2011

E os vagalumes? #4

Estava pensando em qual texto eu iria selecionar para o post de hoje... Algo meu? Não... Algo de algum livro? Sim. Mas qual? E eu fico naquela de encarar os livros da estante esperando que algum salte em cima de mim com alguma frase ou texto genial. Faz pouco que eu comecei com a mania que colocar post its nelas para eu me lembrar posteriormente. Também não podia ser algo grande, tinha que ser curto, objetivo e que significasse algo para mim.

O livro que saltou na minha cara foi: Crônicas para Jovens de Amor e Amizade da Clarice Lispector (resenha aqui) e foi uma escolha perfeita.

A crônica escolhida se chama "Sem Aviso"

"Tanta coisa que eu não sabia. Nunca tinham me falado, por exemplo, deste sol duro das três horas. Também não me tinham avisado sobre este ritmo tão seco de viver, desta martelada de poeira. Que doeria, tinham-me avisado. Mas o que vem para a minha esperança do horizonte, ao chegar perto se revela abrindo asas de águia sobre mim, isso eu não sabia. Não sabia o que é ser sombreada por grandes asas abertas e ameaçadoras, um agudo bico de águia inclinado sobre mim e rindo. E quando nos álbuns de adolescente eu respondia com orgulho que não acreditava no amor, era então que eu mais amava; isso eu tive que aprender sozinha. Também não sabia no que dá mentir. Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou do perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso - já atordoada eu sentia - isso era dizer a verdade.  Até que decaí tanto que a mentira eu a dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta."

Comentário:

Bom, o motivo da escolha dessa crônica. A vida não dá avisos. Não existe placas avisando onde dobrar, o que fazer, o que escolher e o que iremos sentir. Ela simplesmente acontece como bem quiser, não leva em conta nosso estado emocional, vai indo e indo. O amor é exatamente assim. Ele realmente não avisa quando irá bater em sua porta, ele nem bate, vai simplesmente entrando atrapalhando tudo e deixando-te confusa. Sem aviso. E quando ele chega, não há nada que possas fazer ao invés de tentar recebê-lo de braços aberto e achar um espacinho para ele na sua vida. Mas o amor não aceita apenas espacinhos, quer o coração inteiro e mais um pouco. Quer tudo, e sabe a pior parte? Ele consegue tudo. Mas ele é cheio de reviravoltas, uma hora ou outra ele decide ir embora, deixando resquícios, deixando lembranças, deixando uma dor imensa dentro de ti, e não a nada que possas fazer só o tempo levará ela embora. E não adianta mentir dizendo que não ama mais, ama sim e ama demais!

Essa foi a minha leitura do texto (é quase maior que o texto, mas tudo bem!), cada um pode tirar suas próprias conclusões do texto dependendo do momento da vida que está agora, se está feliz, se está triste, se está sentindo qualquer outro sentimento. Eu espero que tenham gostado do post de hoje, e deixem seus comentários contando como vocês interpretam esse textinho!

Gabi


2 comentários:

  1. boa leitura do texto, aahh eu sei que ele vem sem avisar e quando chega não te da escolha, eu espero mesmo que ele nunca venha bater na minha porta.xD

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  2. Dizem que o amor não tem nada a ver com dor. Mas porque toda vez que leio textos sobre amores não correspondidos, ou amores perdidos e etc, sempre fazem menção à este sentimento? Estou naquela época que você se pergunta todo dia o que é amor. O problema é que não existem palavras para definir o que é isso, e você só vai saber quando de fato acontecer. Grrr. Enquanto isso, acho que concluo meu comentário com meu pensamento mais recente... "I'd rather feel pain than nothing at all". Será?

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