6 de janeiro de 2012

Entrevista: Carol Sabar

      Um tempo atrás eu resenhei o livro Como (quase) namorei Robert Pattinson. E hoje eu tenho para vocês uma entrevista com a autora do livro, a Carol Sabar.

      Aproveito para agradecer a Carol por responder as perguntas para o blog! Muito obrigada.

       1)      Conte um pouquinho sobre você:

Eu sou Carol Sabar, mineira de Juiz de Fora. Nasci em 1984 e desde que me entendo por gente gosto de ouvir histórias.
Quando eu tinha uns cinco anos e era arrastada para o chuveiro berrando um xingamento horroroso do tipo “Que cocô!”, minha mãe contava histórias para me entreter.  Eu ficava lá, finalmente acalmada, ensaboada e de olhos bem abertos que era para não perder nem um detalhe da “Fantástica aventura entre o Chuveirinho e o Chuveirão”.
É. Era criativa a minha mãe.
Mais tarde, eu mesma comecei a contar minhas histórias; quando baseadas na realidade, eu sempre aumentava um ponto, que era para não perder a piada.
Sou observadora, detalhista, curiosa, perfeccionista, viciada em internet. Gosto das manhãs e do inverno. Amo café, cappuccino, pão de queijo, biscoito de polvilho. Adoro conversar, viajar, ler, ouvir música (mil vezes a mesma música), assistir a seriados. Adoro viver.

2)     Como descobriu que queria virar escritora?

Eu sou engenheira e, antes de começar a escrever “Como (quase) namorei Robert Pattinson”, nunca havia pensado concretamente em ser escritora, embora vivesse cercada de livros. Aconteceu sem querer. Tive uma boa ideia e resolvi registrá-la. A ficção é uma droga, e eu não sei explicar direito como esse vício me pegou. Mas sei que já nos primeiros parágrafos da história da Duda eu me vi apaixonada pelo processo criativo e não pude mais parar. Era como se a história precisasse chegar até o fim, nem que para isso eu tivesse de virar noites, trabalhar sábados, domingos e feriados, como, de fato, acabou acontecendo.

3)     De onde surgiu inspiração para escrever Como (quase) namorei Robert Pattinson?

Eu estava parada no trânsito congestionado quando a imagem de Robert Pattinson passando óleo bronzeador nas pernas de uma fã se instalou na minha cabeça. Cheguei em casa e comecei a escrever o que acabou se tornando a cena de abertura do livro. "Quando abro os olhos, ali estou eu. Deitada de bruços na areia da praia. E Robert Pattinson está passando óleo bronzeador nas minhas pernas". Mas a inspiração diária vinha mesmo de muito trabalho, de horas e horas pesquisando sobre as fanáticas pelo Crepúsculo, o modo como interagem umas com as outras, como reagem às notícias da saga.

4)     Por que acha que Crepúsculo é hoje um grande sucesso e Edward Cullen é o namorado dos sonhos de muitas meninas?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares. Aliás, de muitos milhões de dólares, que é o que Stephenie Meyer, autora da saga Crepúsculo (alguém aí não sabia?) fatura todo ano.
Talvez nem a própria Stephenie saiba a resposta. Ou os editores.
Mas desde o momento em que Edward Cullen e sua turminha do bem ficaram populares, muitas pessoas vêm exercendo o legítimo direito de divagar sobre as razões que acabaram levando Crepúsculo ao fenômeno mundial (e hollywoodiano) que ele é hoje, e continuará sendo por muitos anos.
Eu arriscaria dizer que Crepúsculo faz sucesso por se tratar de uma história de amor incondicional inserida numa época em que muitas vezes o próprio amor é ridicularizado ou tachado como desimportante frente a outras questões, como a as profissionais, por exemplo. A história de Bella e Edward encanta por realizar o sonho mais primitivo de qualquer ser humano: viver feliz para sempre.
Se por “viver feliz” pudermos entender “casada com um vampiro lindo e milionário”, e “para sempre” significar “jovens e imortais”, melhor ainda!


5)     Como foi todo o processo de escrever esse livro?

No início, fui guiada pela emoção e apenas por ela. Quando terminei o primeiro capítulo, eu parei e pensei em como a história terminaria. Precisava ter certeza de que ia gostar do destino antes de traçar planos para chegar até ele. Criei um esboço de capítulos, nada muito detalhado porque, em minha opinião, uma das poucas maneiras de um escritor avaliar o potencial de envolvimento de sua história (já que o ineditismo dos acontecimentos se perde assim que o final é definido), é o elemento surpresa. É, por exemplo, saber que uma personagem precisa falar sobre um determinado assunto em uma determinada cena, mas deixar que o diálogo se desenvolva pelo calor do momento. Esse é o único instante em que consigo me emocionar a ponto de pensar: “Sensacional! Até arrepiei!”, mesmo que o texto não esteja perfeito e precise ser trabalhado depois, esculpido palavra a palavra.
Mas, avançando na escrita de “Como (quase) namorei Robert Pattinson”, as personagens foram ganhando autonomia e, claro, se recusaram a passar por muitos caminhos planejados. Não forcei a barra, não briguei com as personagens. Simplesmente alterei os caminhos até chegar ao final previamente idealizado, sempre à base de muita pesquisa, estudo e suor na frente do computador. Nada se constrói da noite para o dia. No meu caso, a construção levou sete meses. 

6)     Que dicas daria para pessoas que estão começando a escrever e querem publicar um livro?

Ler muito. Escrever muito. São as duas dicas essenciais.
Além de dedicação, disciplina e paciência. É preciso ter a mente aberta à criação, o que só acontece quando o autor mergulha de cabeça no universo imaginado.
Escrever é uma questão de amor, sim, mas principalmente de prática. Quanto mais se faz, melhor se faz.  E lembre-se: só apresente seu original às editoras se você estiver 100% certo de que deu o melhor de si, de que não vai se arrepender ao ver seu livro (mal acabado) publicado, rodando de mão em mão por aí.

7)      Qual foi a parte mais difícil que se deparou durante a escrita?

A sensação de que a cena criada na minha cabeça ia além da minha capacidade de narrá-la. Nem sei quantas vezes reescrevi cada parágrafo até me dar por satisfeita e conseguir tocar o barco para a frente.

8)     Acha saudável ter essa obsessão por alguma coisa como a Duda tem?

Quando a história começa, Duda está longe de ter um comportamento saudável. Vive entre a realidade e a fantasia, está mais para fanática que para fã. E existe uma diferença enorme entre as duas coisas.
Fã é um admirador do trabalho artístico de outra pessoa. Fanático é quem alimenta uma devoção quase cega por essa pessoa ou por seu objeto de arte. Em uma comparação grotesca é basicamente a diferença entre beber socialmente e ser alcoólatra. Ou seja, o importante é não perder o controle, não deixar que o amor pelo ídolo passe a ditar as regras da sua vida. Se gostar de Crepúsculo agrega uma felicidade à sua rotina, um prazer, ótimo. Mas se, na verdade, acaba provocando um excesso de devoção torturante, uma angústia normalmente acompanhada de um sentimento de culpa, como é o caso da Duda, é hora de parar e rever suas prioridades.
Como qualquer pessoal normal, Duda erra e quebra a cara muitas vezes. Com isso, acaba amadurecendo ao longo da história. É ler para crer!

9)     Pretende escrever mais livros no futuro?
Sim, claro! Estou terminando meu segundo livro, com mais doses de romance que comédia.
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Vocês podem conhecer ainda mais sobre o livro e sobre a Carol no site dela, clicando aqui.

Gabi

5 comentários:

  1. Ahh, que simpática a Carol!!! Estou louco para ler o livro dela!
    Bjs, Gabi!

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  2. Achei a Carol uma fofa! Vou procurar ler o livro dela em breve, é sempre bom ver mais autores brasileiros tendo seus livros publicados, não?
    Ótima entrevista, Gabi.
    Um beijo.

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  3. Se por “viver feliz” pudermos entender “casada com um vampiro lindo e milionário”, e “para sempre” significar “jovens e imortais”, melhor ainda! < Ta aí, gostei. Hahahahaha! Muito fofa esta moça, e tenho curiosidade de ler seu livro agora. ^^

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  4. Lucas: Simpática né? Eu adorei fazer a entrevista!

    Rebeca: Eu acho demais ver autores brasileiros com livros publicados!! Dá um orgulho haha

    Ni: Hahaha, eu sempre fico com essa vontade depois de ler entrevistas!! Parece que o livro fica mais chamativo :)

    Gabi

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  5. Oi Gabi!
    Estou com o livro aqui em casa e louca para ler!
    Sua resenha e essa entrevista agora só aguçaram ainda mais minha curiosidade!
    A autora parece uma fofa e eu adorei as respostas dela às suas perguntas (muito pertinentes, por sinal)!

    Beijos
    Adriana - Mundo da Leitura

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