29 de setembro de 2014

Resenha: Esta Valsa é Minha - Zelda Fitzgerald

“Esta Valsa é Minha” é um romance autobiográfico escrito por Zelda Fitzgerald em seis semanas enquanto ela esteve internada em um hospital psiquiátrico. Caio Fernando Abreu escreveu no prefácio da edição de 1986 que “Zelda escrevia para se justificar, para se compreender, para se salvar. Para orientar a si própria dentro daquele poço onde tinha caído e que, até hoje, por falta de outra palavra mais adequada, chamamos de ‘loucura’”.
Com trocas de nomes e profissões, Zelda conta um pouco da sua história. Como ela cresceu em uma cidade pequena, conheceu Scott Fitzgerald, casaram e logo depois Scott começou a ficar famoso por seus livros.
No livro, Zelda tem o nome de Alabama e Scott de David. No lugar da profissão de escritor temos um pintor famoso. É visível que Zelda tem um fluxo de pensamentos muito corridos durante a escrita do livro, tanto que é uma narrativa com pulos bem grandes a cada cena e sem muitas introduções. Um momento ela estar falando sobre uma cena x e logo na linha seguinte já mudar para outro lugar com outras pessoas.
“Um dia acordará para observar que as plantas dos jardins alpinos são, na sua maioria, fungos que não precisam de muito alimento, e que os discos brancos que perfumam a meia-noite não chegam a ser flores, apenas embriões em desenvolvimento”
Eu tenho certa fascinação por esse período da história e pelos Fitzgeralds. Li apenas O Grande Gatsby do Scott Fitzgerald, mas já foi o suficiente para entender a sociedade americana do entre guerras, ele tendo narrado tudo de uma forma brilhante. Zelda caracteriza essa sociedade no seu livro também, de uma forma maravilhosa.
“Alabama pensou em Joan. Estar apaixonada, concluiu, não passa de uma apresentação de nossos passados a outro individuo, pacotes na sua maioria de tão difícil manejo que não conseguimos mais lidar nem com os cordões soltos. Procurar amor é como pedir um novo ponto de partida, pensou, uma nova chance na vida”.
O casal se muda com a filha para Europa por um tempo após a Primeira Guerra Mundial e é onde vemos como financeiramente tudo era possível, a euforia e a bebida. Também, é quando Zelda resolve que precisa fazer alguma coisa de sua vida, não querendo mais viver na sombra do seu marido. Zelda resolve que quer ser bailarina e é uma parte muito forte no livro onde vemos ela se levando a exaustão completa em busca da perfeição.
“Por que passamos anos gastando os corpos para alimentar as mentes com experiência, para no final descobrir as mentes se voltando para os corpos exaustos em busca de consolo?”.
É uma narrativa cansativa. Com partes muito interessantes, muito boas e partes bem desnecessárias. Cenas longas, diálogos longos que acabam não acrescentando nada para o desenrolar do enredo. Contudo, devido às circunstâncias em que o livro foi escrito, acredito que isso acaba se tornando aceitável para o leitor que tem interesse na autora, na sua situação e na história que ela está tentando contar.

O livro conversou comigo de uma maneira interessante. Eu não esperava tirar tanto do livro como eu tirei, tantas cenas e passagens marcantes e tantos acontecimentos que me deixaram pensando bastante. Apesar das questões de narrativa e estrutura, foi uma leitura muito rica e válida. 

25 de setembro de 2014

Tag: Dia da Semana em Livros

Oi gente,

A última vez que eu postei uma tag foi lá em abril (quando eu percebi isso fiquei assustada como o tempo passou rápido) e finalmente eu consegui gravar outro vídeo desse estilo! Espero que vocês gostem.



Tag criada pela Pam do Garota It

Que vídeos/posts vocês gostariam de ver por aqui?

Gabi

20 de setembro de 2014

Resenha: Profissões para mulheres e outros artigos feministas - Virginia Woolf

“Profissões para mulheres e outros artigos feministas” é um livro que conta com sete escritos de Virginia Woolf. Foi meu primeiro contato com a obra de não ficção da autora e posso dizer que me surpreendi muito.
A autora viveu entre 1882 e 1941, contudo, a maneira como ela fala sobre o papel da mulher na sociedade e sobre o feminismo é extremamente atual e bastante avançada para época. 
O primeiro texto é chamado “Profissões para mulheres” e Woolf fala sobre as diferenças de ser escritora mulher na época em que ela começou a escrever. Ela fala sobre os bloqueios que as mulheres sofrem na hora de escrever honestamente sobre aquilo que desejam. 
“(...) Falando sem metáforas, ela pensou numa coisa, uma coisa sobre o corpo, sobre as paixões, que para ela, como mulher, era impróprio dizer. E a razão lhe dizia que os homens ficariam chocados (...) Pois, embora sensatamente os homens se permitam grande liberdade em tais assuntos, duvido que percebam ou consigam controlar o extremo rigor com que condenam a mesma liberdade nas mulheres”.
Para Virginia Woolf, as mulheres têm muitos fantasmas a combater e muitos preconceitos a vencer enquanto escreve. E que vai levar muito tempo até uma mulher conseguir exercer a profissão de escritora (e qualquer outra) sem fantasmas a combater no caminho.
O quarto texto consiste em uma troca de cartas entre Virginia Woolf e Desmond MacCarthy que havia publicado uma resenha onde comentava sobre a inferioridade da mulher comparando ao homem. A discussão dos dois levanta assunto como “se as mulheres são igualmente capazes, porque elas não abriram caminho com suas conquistas” e trás respostas de que “elas não tinham espaço para abrir esses caminhos sozinhas”.
O resenhista escreve em resposta a Woolf que “Nada me convencerá de que uma mulher, vivendo na mesma época e em condições mais favoráveis do que as deles, se tivesse mostrado a mesma capacidade e paixão intelectual instintiva, não teria feito o que eles fizeram” e sabemos que os homens tinham essa facilidade em ter acesso ao conhecimento porque não eram vistos como seres inferiores. O caminho deles não era preenchido por pedras e fantasmas.
Virginia Woolf responde que a única explicação que ela vê na ausência de boas e más escritoras é:
“não consigo conceber nenhuma razão a não ser alguma restrição externa a suas capacidades (...) Por que, a não ser que estivessem forçosamente proibidas, não expressaram esses talentos na literatura, na música ou na pintura?”
Outro ponto abordado pela autora nessa discussão, é que as mulheres precisam de liberdade de expressão, para que possam divergir dos homens sem receio, para que elas possam criar com a mesma liberdade dos homens e ver suas opiniões sendo respeitadas.

Comentei sobre esses dois artigos por terem sido meus favoritos e abordarem de forma abrangente as opiniões da autora. É um daqueles livros que você tem vontade de sair dando de presente para todo mundo porque vale muito a pena. Virginia Woolf aborda o feminismo de uma forma incrível e de uma forma extremamente honesta. É uma leitura muito recomendada, é um livro curto, rápido e simples de ser lido. É um livro com muito conteúdo e muitos tópicos importantes para discussões e para serem pensados.

16 de setembro de 2014

Book Haul: Agosto

Oi gente,

O blog até que não está mais tão abandonado nesses últimos dias e isso está me deixando bem feliz. Nas próximas semanas eu vou ter alguns momentos de folga ("folga") e pretendo gravar algumas tags, se quiserem deixar sugestões nos comentários eu agradeço!

Mas bem, para um mês com poucas leituras, agosto foi um mês onde vários livros novos ganharam um espaço aqui em casa (e felizmente setembro está sendo um mês bem mais controlado) Compartilho eles com vocês no vídeo:



Resenhas:
Isla and the happily ever after - Stephanie Perkins
A festa da insignificância - Milan Kundera

Poema da Maya Angelou


13 de setembro de 2014

Resenha: O que me faz pular - Naoki Higashida

Naoki Higashida escreveu “O que me faz pular” quando tinha treze anos. Ele é um menino autista que nas 186 páginas do livro responde perguntas comuns de pessoas sem a sua condição sobre o autismo e ainda podemos ler alguns pequenos contos escritos por ele.
O livro é escrito por meio de uma prancha de alfabeto, Naoki aponta para as letras e sua mãe o ajuda a ir formando as frases. A prancha é a melhor forma de comunicação que Naoki possui para dizer aos outros o que pensa e o que precisa.
A introdução do livro é escrita por David Mitchell, pai de um menino autista que conta como a leitura da versão em japonês de “O que me faz pular” fez com que ele conseguisse compreender melhor como seu filho pensava e assim, ele se sentiu mais capaz de ajudá-lo e de estar ao seu lado.
É uma introdução muito bonita, sincera e faz com que o leitor entenda a importância de procurar compreender o que uma pessoa sem a capacidade de comunicação deseja comunicar.
“Nem sempre dá para perceber só olhando para uma pessoa com autismo, mas nós nunca sentimos que nossos corpos de fato nos pertencem. Eles estão sempre agindo sozinhos e escapando de nosso controle. Aprisionados lá dentro, lutamos o tempo todo para que façam o que mandamos”
Naoki Higashida entende a sua condição. Ele entende como pode ser difícil para os outros lidarem com o seu modo de viver e entende que muitas vezes, ele não tem controle do próprio corpo e dos seus pensamentos. Ainda assim, em vários capítulos ele pede que não desistam dele. Ele precisa de ajuda, ele valoriza a ajuda que recebe – mesmo que não consiga verbalizar isso – e precisa que as pessoas fiquem ao seu redor, por mais difícil que seja.
“Quando notamos que vocês desistiram de nós, nos sentimos muito mal. Então, por favor, continuem nos ajudando, até o fim”
“O que me faz pular” é um livro escrito de uma forma simples, capítulos curtos e muita honestidade. É uma forma de acesso a pensamentos que não seriam acessados caso Naoki não fosse persistente com a aprendizagem da prancha de alfabeto.
Ao responder as cinquenta e oito perguntas sobre sua condição, Naoki explica o funcionamento da sua memória – que não é linear como a maioria das pessoas tem – como ele, muitas vezes não tem controle daquilo que faz, o motivo dele não olhar nos olhos das pessoas enquanto conversa, como é difícil e porque é difícil para ele conversar e se comunicar e diversos outros itens que nos fornece um entendimento muito interessante da sua condição de autista.

É um livro com muito conteúdo e que eu recomendo bastante para aqueles que têm interesse em conhecer mais sobre o autismo, explicado por um autista. 

10 de setembro de 2014

Estive pensando... A vida no momento

Ano passado, meu maior desejo era que o vestibular passasse e eu conseguisse ‘ler normalmente’ de novo. O ano passou, o vestibular acabou, eu entrei na faculdade e ‘ler normalmente’ de novo acabou não acontecendo.
E diferentemente do ano passado, eu não tenho um desejo de querer que meu ritmo de leitura volte a ser como antes. Por quê? As minhas prioridades acabaram sofrendo algumas alterações.
A faculdade exige a leitura de muitos (muitos, muitos, muitos) textos. Então eu estou lendo. Passo a maior parte dos meus dias lendo, mas não são livros. A maioria dos textos eu realmente gosto e eu realmente não leio por obrigação. Prioridade de leituras durante o semestre? São agora os textos da faculdade. Que conseguem se multiplicar de forma assustadora de uma semana para outra.
Conversando com uma amiga minha sobre como as minhas leituras estavam mais lentas, ela me disse algo que me deixou pensando. Ela me disse que a arte existe para preencher um espaço, existe para compensar a falta de algo e existia para me fazer companhia. A faculdade começou e com toda a loucura e confusão, muitas coisas mudaram na minha vida e eu me permiti dar uns saltos no desconhecido e arriscar um pouco.
Eu nunca tive um círculo de amigos, eu sempre fui mais sozinha e o meu lado social sempre foi bem parado. Tanto que eu sempre dizia como piada que o meu segredo para ler tanto era não ter vida social. A piada acabou se mostrando verdade.
A literatura ainda me deixa extremamente feliz, mas a novidade é que não é mais uma das minhas únicas fontes de felicidade. Essa fonte ficou em segundo plano. O espaço que existia para ela ficou menor e ele foi também ocupado por pessoas incríveis. E querem saber um segredo? Foi a melhor coisa que já me aconteceu.
Esse primeiro ano de faculdade está sendo muito difícil. Realmente difícil. Eu já pensei em desistir, já chorei, já me estressei (muito) e já entendi que eu amo psicologia e eu amo estudar isso. Posso dizer que esses últimos meses estão sendo os melhores que eu já tive. As minhas leituras estão mais lentas? Sim, mas eu não mudaria isso por nada.
O que eu estou lendo também mudou. Estou bem mais seletiva com quais são as minhas leituras do mês. É aquela ampliação de gêneros de leitura que eu já comentei aqui antes acontecendo.
É meio incrível como tudo acontece. É lindo como algumas coisas acontecem e é lindo como a vida vai mostrando caminhos, alternativas e rotas interessantes para se seguir. Eu estou gostando bastante da rota que eu estou seguindo no momento.
Se alguém me contasse ano passado que a minha vida estaria como está, eu teria certa dificuldade em acreditar. Mas está bem incrível e esse é o motivo das poucas leituras, poucas atualizações no blog e poucos vídeos no youtube.
Como está a vida de vocês?

1 de setembro de 2014

Leituras de Agosto

Oi gente,

Agosto foi um mês que eu passei praticamente todo meu tempo lendo, mas completei apenas três livros. Como isso? Todo o resto consiste em leituras de textos para faculdade. Não que isso seja uma reclamação, eu gosto dos textos da faculdade (não todos, obviamente, mas a maioria eu não penso 'queria estar lendo um livro').

Estou pensando também em escrever um post sobre mudanças de prioridades e o que 'ler' significa atualmente para mim, vocês iriam gostar? Também queria pedir sugestões de posts diferentes (alimentar o blog só com as resenhas não está dando muito certo). Podem deixar nos comentários aqui ou me enviar pelas redes sociais!

Mas enfim, eu li três livros em agosto e comentei um pouco sobre cada um no vídeo:

23 de agosto de 2014

Resenha: A festa da insignificância - Milan Kundera

“A festa da insignificância” foi meu primeiro contato com a narrativa de Milan Kundera. Não tenho como comparar com os outros livros do autor, mas achei bem diferente e interessante a maneira como ele apresentou alguns temas do cotidiano.
A ambientação do livro é em Paris e acompanhamos alguns dias de quatro amigos e a falta de sentido de suas vidas. Eles passeiam por jardins, observam as filas de museus, pensam sobre seus passados e futuros, vão a festas bizarras e o leitor vai acompanhando esse dia a dia.
Entre esses acontecimentos sem certa significância, o autor pincela discretamente temáticas que são interessantes de se pensar sobre. Kundera aborda a ideia de como as gerações mais novas não tem uma ideia completa dos acontecimentos históricos do passado e como esse desencontro de gerações promove discursos que nem sempre são entendidos por completo quando ditos por uns e ouvidos por outros a anos de distância.
“Quando Ramon explicara sua teoria sobre os observatórios erguidos cada um num ponto diferente da história a partir dos quais as pessoas se falam sem poder compreender umas às outras”
Um dos personagens lida com a doença da mãe e com a efemeridade da vida. Isso não é tratado pelo narrador como um acontecimento principal, como a festa que eles vão e as conversas sobre ideias para futuras peças de teatro. Eu vi nisso uma forma de dizer que as pessoas acabam colocando esses acontecimentos mais ‘distrativos’ antes de lidar com os problemas mais sérios. Esses sempre sendo adiados e adiados.
“Mas Charles ainda não estava pronto para enfrentar o fim; o fim, ele gostaria de adiar para mais tarde” .
Eu achei interessante e a minha interpretação do livro foi que as questões mais ‘sérias’ foram tratadas como secundárias. O livro é cheio de cenas engraçadas, piadas, personagens cômicos, mas não é um livro engraçado em si. Ao terminar, eu senti que toda a comédia foi apenas uma forma de encobrir a densidade. Kundera assim, faz um retrato incrível de como se vive a maioria dos dias. Ignorando a densidade da vida.
Gostei muito da narrativa do autor e da forma como ele abordou as insignificâncias da vida. É leve, mas com bastante conteúdo e eu recomendo muito a leitura.

Acredito que é um livro que pode ser interpretado de diversas maneiras, mas essa resenha reflete como eu vi a história e acho que seria interessante conversar sobre o enredo com mais gente que já tenha realizado a leitura. 

17 de agosto de 2014

Resenha: Isla and the happily ever after - Stephanie Perkins

O meu último contato com a narrativa da Stephanie Perkins foi em 2012 com a minha leitura de Lola e o Garoto da Casa ao Lado. Desde então eu venho esperando o próximo lançamento da autora agora eu finalmente pude ter meu coração preenchido com cenas fofas e personagens interessantes.
Em “Isla and the happily ever after” nós voltamos ao colégio interno que ambienta a história de “Anna e o Beijo Francês” para acompanhar o ano de Isla. Ela que é uma menina introspectiva, tímida e que tem uma quedinha por Josh.
O enredo do livro segue esse desenvolvimento de amizade/relacionamento entre os dois e diversas pedras que vão aparecer no caminho para o ‘felizes para sempre’.
A narrativa da Stephanie Perkins é adorável. Por mais que Isla não se tornou o meu favorito da autora, ainda é um livro que me deixou muito feliz. Feliz porque foi um livro leve, bem desenvolvido e com personagens interessantes de se ler sobre.
Isla é tímida. Ela tem medo de se arriscar na vida e seu último ano do Ensino Médio acaba fazendo com que ela tenha que tomar decisões sobre o seu futuro. Eu vi muitos traços da minha personalidade nela e a autora retratou muito bem o que é ter medo de arriscar, medo de sair da zona de conforto. Josh é um mocinho que tem várias camadas, que pode parecer uma pessoa que não se importa com nada, mas que no fundo, existem motivos e explicações.
O enredo é bem desenvolvido. Acho que algumas partes foram corridas demais e por mais que a Isla tenha me incomodado com o que ela faz na festa de natal, eu consigo entender o motivo pelo qual ela fez o que fez. É isso que eu gosto nos personagens da Stephanie Perkins, eles são reais e cometem erros reais.
As ações da Isla condizem com a personalidade insegura dela e isso a tornou uma personagem completa. Ela não se torna extrovertida e segura de si de uma hora para outra, existe um desenvolvimento gradual. A autora faz com que ela vá aprendendo com os erros e se conhecendo melhor.
Eu senti falta de personagens secundários mais significativos. Kurt, o melhor amigo de Isla, não preencheu esse espaço completamente e acho que essa parte poderia ter sido mais bem desenvolvida. Também, acho que Josh merecia um pouquinho mais de atenção, eu queria ter lido mais sobre a vida dele e sobre seus pensamentos e impressões.

Eu recomendo a leitura. Tanto desse quanto dos outros dois livros da autora, são jovens adultos contemporâneos leves, bem escritos e com personagens incríveis. 

10 de agosto de 2014

Leituras de Julho

Oi gente,


Julho foi o mês em que eu inconscientemente li vários livros de capa azul. Foram cinco livros bem diferentes um do outro e eu gostei bastante das leituras. Comento um pouquinho mais sobre cada um deles no vídeo e comento sobre alguns com bem mais detalhes nas respectivas resenhas.


Resenhas:
Caninos Brancos
Extraordinário
Altos voos e quedas livres

31 de julho de 2014

Book Haul: Julho

E eu não demorei um mês para postar outro vídeo! Faz muito tempo que eu não mostro os livros novos que eu andei comprando/recebendo, mas como em julho eu acumulei alguns livros bem legais, eu queria compartilhar. Espero que vocês gostem.

28 de julho de 2014

Resenha: Altos voos e quedas livres - Julian Barnes

Eu comecei a leitura de “Altos voos e quedas livres” sem um enredo muito definido na minha mente. Não tem nenhuma sinopse na contracapa do livro ou na aba lateral, diz apenas que é uma história sobre balonismo, fotografia, amor e luto.
De fato, o livro fala sobre tudo isso. Julian Barnes escreve esse livro quatro anos após a morte de sua esposa, tempo necessário para ele conseguir falar sobre todos os sentimentos que estiveram presentes na sua vida no período.  
A primeira parte do livro faz uma ligação entre balonismo e fotografia. Como “Você junta duas coisas que nunca foram juntadas antes. E o mundo se transforma. As pessoas podem não reparar na hora, mas isso não importa. Mesmo assim, o mundo se transformou” (p. 11) sendo as duas coisas, em primeiro momento, o balonismo e a fotografia. Como essa união mudou a perspectiva de várias pessoas. Como o balonismo permitiu as pessoas a voarem e a verem tudo de cima, de uma maneira diferente.
Em seguida, o autor comenta sobre as possíveis quedas da vida. Eu poderia comentar sobre como o autor faz isso de uma forma incrível, mas acho que deixar o paragrafo com as palavras dele é mais adequado:
“Nós vivemos na superfície, no nível horizontal, e no entanto – e por isso – nós sonhamos. Animais rasteiros, às vezes chegamos tão longe quanto os deuses. Alguns voam por meio da arte, outros da religião; a maioria do amor. Mas, quando voamos, podemos cair. Existem poucos pousos suaves” (p. 45).
Por fim, na terceira parte do livro intitulada “A perda da profundidade” o autor elimina os personagens que ajudaram a moldar as ideias anteriores e fala sobre o que ele passou após a morte de sua esposa. Essa foi à parte mais significante do livro, sem dúvida alguma. É possível sentir a dor dele através das frases e das situações comentadas. É possível perceber que ele não se via preparado para enfrentar a perda e que ninguém nunca está preparado para enfrentar uma perda. Acontece que “Toda história de amor é uma história de sofrimento em potencial” (p. 45) e quanto mais a história de amor é intensa e relevante, a parte do sofrimento acaba sendo igualmente intensa.
As três partes do livro, por mais distintas que sejam, se juntam de uma forma maravilhosa e proporcionam uma visão bem completa do sentimento de efemeridade e perda. O balonismo começa como uma metáfora de voo, seguindo pela ideia de possíveis quedas e por fim, essas ideias vistas na realidade do autor.

Eu recomendo bastante a leitura!

24 de julho de 2014

Leituras de Junho

Oi gente,


Não vou dizer que vou tentar voltar a postar no blog sem espaços tão grandes de tempo porque eu não sei se vou conseguir cumprir. Acontece é que a vida tá bem (bastante) legal e o tempo de sentar e escrever posts ficou bem menor. Enfim, com os vídeos de leituras do mês eu consigo compartilhar com vocês o que eu andei lendo e eu ainda não postei resenha de todos os livros que eu comento no vídeo de hoje, então espero que vocês gostem!

16 de julho de 2014

Resenha: Caninos Brancos - Jack London

“Caninos Brancos” é um dos livros que entra para a lista de leituras que realmente me surpreenderam.
Jack London vai abordar durante toda a narrativa a ideia de adaptação social. Como um animal considerado selvagem pode ser moldado a partir daquilo que acontece ao seu redor e a partir da maneira como ele é tratado. A narrativa em terceira pessoa acompanha Caninos Brancos, parte lobo e parte cão, durante a sua vida e durante os diferentes períodos em que ele teve diferentes donos. Esses donos são quem moldam Caninos Brancos dependendo de suas necessidades e expectativas.
Caninos Brancos percebe que é preciso se adaptar para sobreviver. É preciso entender as regras e entender que as regras vão mudando conforme as situações de vida mudam.
A minha parte favorita no livro, sem dúvidas é o capítulo sete. Vou comentar sobre essa parte mais detalhadamente na resenha porque eu acho que reflete bastante a ideia central do livro. Quando Caninos Brancos nasce, ele é mantido dentro de uma caverna por sua mãe. De dentro da caverna, ele vê a luz que vem do exterior e sempre que vai tentar sair sua mãe o puxa de volta. Condicionando ele a ficar dentro da caverna.
É ali onde Caninos Brancos aprende sobre as ‘leis’ da vida e aprende que quebrar essas leis resulta em consequências.
“Essas limitações e restrições eram leis. Obedecê-las era escapar da dor e contribuir para a felicidade”.
Após um tempo, a curiosidade e a vontade de descobrir o desconhecido falam mais alto que o medo do mesmo e Caninos Brancos vai explorar o lado de fora.
“O instinto e a lei exigiam dele obediência. Mas o crescimento exigia desobediência. A mãe e o medo o impeliam a manter-se longe da parede branca. Crescimento é vida, e a vida está sempre destinada a se aproximar da luz”.
O lado de fora permite que o desconhecido torne-se conhecido. Esse aprendizado não é algo fácil, é algo que causa dor e desconforto, mas é algo necessário de ser feito.
A partir desse primeiro contato com o mundo real, Caninos Brancos vai precisar se adaptar novamente a diversas situações e todas essas adaptações são feitas a partir de tentativas de erros e acertos. O narrador comenta diversas vezes durante o livro como Caninos Brancos faz isso inconscientemente, diferente dos seres humanos.

A narrativa de Jack London é incrível, a abordagem da temática da adaptação social e condicionamento de comportamentos é maravilhosa e com certeza é um livro que acrescenta muito ao leitor. É uma leitura diferente, uma leitura que foi me conquistando aos poucos e que eu recomendo muito. 

7 de julho de 2014

Resenha: Extraordinário - R. J. Palacio

August Pullman tem uma síndrome genética que faz com que ele tenha uma aparência diferente, uma deformidade facial. Aos 10 anos, seus pais decidem que é um bom momento para August começar a frequentar uma escola e deixar os estudos em casa de lado.
Ele tem completa noção que as pessoas se sentem desconfortáveis com a sua aparência, que elas ou ficam encarando ou desviam rapidamente o olhar. “Extraordinário” vai então acompanhar August, sua família e seus novos colegas nesse primeiro ano de escola.
"O legal de crianças pequenas é que elas não dizem coisas para tentar magoar você e, mesmo que às vezes façam isso, não sabem o que estão falando. Quando elas crescem, por outro lado... sabem muito bem o que estão dizendo." 
A narrativa é alternada entre diversos pontos de vista, o que permite o leitor uma visão completa e geral do que está acontecendo no universo do livro. Um desses pontos de vista que eu gostei bastante foi o ponto de vista da irmã mais velha de August e como ela tem um instinto protetor, uma maturidade inesperada para a sua idade e como no fundo, ela é uma adolescente normal e tem seus próprios problemas também.
A visão dos amigos de August também é bem explorada, como cada um foi se aproximando dele por motivos diferentes e acabam descobrindo que Auggie é uma criança legal e muito divertida.
O livro vai tratar bastante sobre bullying. Sobre como várias crianças julgam August por sua aparência e não tentam nem conhecê-lo melhor. Como algumas crianças o machucam de propósito e ainda acham graça da situação. Acredito que é um livro infanto-juvenil que explora essa temática muito bem e levanta questionamentos bem interessantes para o leitor.
Como, por exemplo, a inserção de pessoas diferentes na sociedade e como elas devem ser tratadas. Até onde o principio da equidade pode ser adaptado e quando a linha de superproteger alguém e impedir que essa pessoa tenha experiências de verdade é ultrapassada.
Como Olivia, a irmã mais velha de August, comenta após ele retornar triste da escola e dizendo que iria desistir, a escola não é fácil para ninguém. A linha entre analisar se August podia desistir devido a sua aparência diferente e utilizar isso como justificativa que ele não teria como se adaptar e ver que é um processo complicado e é preciso dar tempo ao tempo é tênue e eu gostei como isso foi abordado no livro.
"Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo”.
R. J. Palacio tem uma narrativa simples e muito agradável de ler. Eu demorei um pouco para engrenar na história, mas é um livro que tem um ritmo muito bom e os capítulos curtos o torna uma leitura rápida. A mensagem de “Extraordinário” é muito boa e não é dada ao leitor de uma forma forçada. Recomendo bastante a leitura.

29 de junho de 2014

Resenha: O Príncipe da Névoa - Carlos Ruiz Zafón

Os comentários positivos que eu li sobre a obra do Zafón e todas as recomendações que eu recebi nos últimos meses acabaram colocando “ler Zafón” como uma meta para 2014.  “O Príncipe da Névoa” é o primeiro livro publicado pelo autor em 1993 e acredito que a partir dessa leitura já se pode ter uma noção do motivo de tantos elogios.
Em 1943, Max e sua família se mudam para uma pequena cidade litorânea com o objetivo de fugir da guerra que se aproxima. Assim que chega à estação, Max já percebe algo estranho com a cidade ao ver que o relógio gira ao contrário. A casa nova da família também tem uma atmosfera e um histórico que acaba fazendo com que Max descubra algumas informações sobre a família que construiu a casa e o que aconteceu com eles.
O livro então segue Max, sua irmã Alicia e seu novo amigo Roland nas suas tentativas de desvendar mistérios e buscar respostas.
Acho que esse é um dos livros que quanto menos o leitor souber quando iniciar a leitura, melhor. O mistério central é bem construído e torna “O Príncipe da Névoa” uma leitura extremamente envolvente.
A narrativa de Zafón tem um clima sombrio e instigante, deixando o leitor sempre a espera do que vai acontecer em seguida. O autor escreve no prólogo que é um livro infanto-juvenil, que ele gostaria de ter lido com 13, 14 anos, mas que também pudesse agradar leitores de todas as idades. Acredito que é um livro que agrada tanto leitores mais novos como mais velhos justamente por ter uma linguagem simples, personagens mais novos e ainda assim lidar com questões mais sérias como o poder de uma escolha, de uma promessa e de acordos.
Eu senti o início do livro um pouco lento e precisei recomeçar algumas vezes até realmente me envolver com a história, mas logo isso deixou de ser um problema e eu não consegui soltar o livro até terminá-lo. Outro ponto que eu criticaria é que algumas cenas eu senti que podiam ter sido mais desenvolvidas.

Os elogios existem porque o Zafón consegue criar uma atmosfera bem única e uma narrativa maravilhosa. Foi um ótimo livro para conhecer o trabalho dele e fazer com que eu siga lendo sua obra. 

22 de junho de 2014

Leituras de Maio

Oi pessoal,


Eu comentei sobre isso no facebook, mas resolvi aproveitar o post de hoje para escrever por aqui também. A frequência de postagens está bem ruim e os vídeos estão bem ausentes, tudo isso é devido ao fato que eu não estou conseguindo parar e organizar tudo isso. Como eu comentei no vídeo abaixo, a vida está confusa e corrida e eu prefiro não postar nada a postar uma resenha mal escrita ou um vídeo ruim. 

Enfim, espero que eu consiga organizar tudo logo e espero que vocês gostem do vídeo <3

12 de junho de 2014

Filme: A Culpa é das Estrelas

O que eu esperava da adaptação de um livro que significa muito para mim? Bastante. Eu realmente tinha altas expectativas em relação ao filme de TFIOS e agora posso felizmente dizer que eu não me decepcionei. O filme é lindo.
Vocês sabem que eu não sou a melhor crítica de filmes que existe e realmente, eu não assisti a esse filme com um olhar crítico. Assisti ao filme com o olhar de quem esperou tanto tempo por esse momento, viu todas as etapas de gravação e estava extremamente ansiosa.
É uma adaptação extremamente fiel. A essência do livro é muito bem representada, com todo o humor, tristeza e honestidade. A atuação de todos os atores em surpreendeu bastante e deram um rosto e corpo aos personagens da minha mente. Eles fizeram isso de uma maneira maravilhosa, natural e com respeito a tudo aquilo que o John Green escreveu.
A trilha sonora é maravilhosa e é incrível o poder que tem em colocar a música certa na cena certa. Colocar a música do Ed Sheeran nos créditos finais foi uma ideia bem cruel da parte deles. Enfim, tudo se encaixou de uma forma muito bonita. O filme tem um ritmo bom, as cenas em Amsterdam são maravilhosas e está tudo ali. Tudo.
Algo que eu gostei muito foi que eles não exageraram em nada. Não houve um glamour desnecessário na parte de roupas e maquiagem; isso era algo que me preocupava antes. É simples e essa simplicidade que tornou o filme tão incrível para mim.
Eu já comentei que eu chorei? Pois é. Eu chorei e não foi pouco. Eu comentei na minha resenha que mesmo já lendo o livro quatro vezes eu não criei resistência à história. Assistir ao filme foi bem pesado. Não foi um choro que durou só durante o tempo do filme e sim um que me acompanhou até em casa e durante uns quarenta minutos da madrugada. Resumindo: acho que eu não me senti só triste ao final de tudo, mas senti dor também. Uma dor emocional bem forte. (Terminar de reler o livro e assistir ao filme no mesmo dia não foi uma das minhas melhores ideias, confesso. Já é triste passar por tudo uma vez por dia, apenas).
Acho que foi mais difícil do que ler (ver as cenas + a trilha sonora = uma experiência completamente diferente) e foi tão bom como ler. Eu recomendo tanto vocês irem assistir ao filme, tendo gostado do livro ou não.
Acho que eu já disse bastante por aqui nos últimos dois anos que recomendo essa história. Enfim, agora eu posso dizer que recomendo o livro e o filme.
Não se esqueçam de me contar o que acharam!

8 de junho de 2014

Resenha: The Fault in Our Stars - John Green (releitura)

A minha resenha original de TFIOS foi publicada no dia 8 de maio de 2012. Eu estava com vontade de escrever uma resenha atualizada e é exatamente isso que eu vou fazer hoje.
Hazel Grace Lancaster foi diagnosticada com câncer aos treze anos. Originalmente era câncer na tireoide, contudo esse se espalhou para os seus pulmões, tornando a simples tarefa de respirar extremamente difícil. Um milagre da medicina permite que Hazel chegue até os dezesseis anos, quando seus pais e médicos acham que ela está deprimida.
Eles então a mandam para o grupo de apoio que se encontra no porão de uma igreja e é onde Hazel conhece Augustus Waters. Existe um interesse reciproco entre eles e isso faz com que a vida de Hazel passe a ser mais do que assistir America’s Next Top Model, ler e assistir algumas aulas na faculdade.
Esse foi um dos primeiros livros que teve um impacto diferente em mim e mesmo dois anos depois, eu não criei resistência nenhuma à história. Continua triste, continua doendo e continua me fazendo chorar como nunca. Hazel e Gus são personagens que se tornam reais durante o decorrer do livro.
John Green escreveu um livro sobre adolescentes com câncer sem que seja um livro de câncer. O câncer existe, mas não é o personagem principal. O autor mostra que adolescentes com câncer também são adolescentes; eles se apaixonam, têm raiva da vida, são sarcásticos, divertidos, ficam tristes e só querem mais tempo no mundo.
Existe também uma relação muito bonita entre Hazel e seus pais, principalmente em como ela se preocupa com o que vai acontecer com eles depois da sua morte e como eles cuidam dela e apoiam ela sempre.
É um livro muito bem escrito. É um livro que tem um desenvolvimento dos personagens muito bem feito e é feito de uma maneira natural e honesta. É um livro honesto e acredito que é por isso que dói tanto. A realidade é dolorida e cada vez isso se torna mais claro para mim. 
John Green proporciona o leitor diversas emoções no decorrer das páginas. Tem um humor sarcástico que faz o livro ser o que é. Como eu disse lá em 2012 e agora posso dizer que eu estava correta: Não é um livro que é lido e depois guardado na estante e esquecido. As frases e a história ficarão guardadas comigo. Eu tenho certeza que ficarão comigo por um bom tempo. Não quero e não vou conseguir esquecer.
É um livro importante para mim. Aqueles livros que eu considero ‘meus’. Ele ainda faz com que eu sinta tudo o que eu senti quando o li pela primeira vez, é uma história que mexeu muito comigo e que eu fico muito grata que resolvi comprar ele no kindle em uma tarde só para ‘ver sobre o que era’.

4 de junho de 2014

Resenha: O Inventário das Coisas Ausentes - Carola Saavedra

“O Inventário das Coisas Ausentes” é dividido em duas partes. A primeira se chama ‘Caderno de Anotações’ e é composta por diversos fragmentos de histórias diferentes que não tem muita ligação uma com a outra. São as anotações do escritor do livro e do narrador da história. A segunda parte se chama ‘Ficção’ e é uma narrativa com mais continuidade e algumas histórias da parte anterior se unem.
O narrador do livro vai contando a história de Nina, uma chilena que ele conhece na faculdade, e como um dia ela desaparece deixando para trás apenas dezessete diários e um homem extremamente confuso pensando no que aconteceu.
É um livro bem fragmentado em pequenas sessões e eu gostei disso. Nem todas possuem um grande significado para a história principal, mas eu gostei do fato delas estarem presentes no caderno de anotações. Como se fossem possíveis futuras histórias daquele escritor.
Não é um livro confuso, mas é um processo de criação onde primeiro vemos os pedaços e depois podemos ler o material pronto. Existe um romance entre o narrador e Nina, e acredito que a ausência dela fez com que ele buscasse entender o que realmente aconteceu entre os dois e o motivo da sua partida. Transformando-a em uma história.
Escrevendo sobre Nina, o narrador não consegue não escrever sobre sua própria vida e seus passados.
A segunda parte é focada, além da história da Nina, no relacionamento entre pai e filho. É onde tem a maior carga emocional do livro e onde eu senti uma interação maior com o personagem. Acabou sendo a minha parte favorita. Acredito que -pensando que o personagem existe que ele tivesse realmente escrito- ele teria começado a escrever sobre Nina e acabou colocando muito de si mesmo nas páginas.

Eu gostei bastante da narrativa da autora, é um livro rápido e um livro agradável de ser lido. A minha única crítica fica que eu queria acompanhar um desenvolvimento maior dos personagens, isso fez com que eu não conseguisse me envolver muito com a história. Achei o formato diferente e achei interessante acompanhar uma história completamente fragmentada. 

28 de maio de 2014

Resenha: Faça Boa Arte - Neil Gaiman

“Faça Boa Arte” é um discurso que o Neil Gaiman fez na formatura da University of the Arts na Filadélfia em 2012. Eu já tinha assistido o discurso  um tempo atrás, mas o trabalho gráfico de Chip Kidd faz ter o livro valer muito a pena.

É uma leitura muito rápida, mas muito válida. Os conselhos que Neil Gaiman dá, são aqueles que podem ser até considerados um pouco clichês, mas que é sempre bom ouvir. Você precisa de um lembrete em alguns momentos da vida e eu acredito que esse livro é perfeito para isso. As vezes a vida fica corrida e a gente começa a se focar muito nas partes negativas e algumas mensagens do livro realmente tem seu impacto nesses momentos. 
Neil Gaiman começa o discurso falando um pouco sobre como ele começou a trabalhar com escrita e algumas coisas que ele aprendeu durante a sua vida que ele pensa ser útil para os recém-formados. Um desses conselhos é para pegar qualquer situação ruim da sua vida e transformar em uma arte. Foi o meu conselho favorito e eu li no momento certo. No meu caso, a arte seria a escrita. Utilizar sentimentos ruins para escrever poemas e textos pelo menos não me deixa com aquela sensação de perda de tempo. 


"As vezes a vida é dura. As coisas dão errado, na vida e no amor e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros aspectos que podem dar errado. Quando as coisas ficarem complicadas, é assim que você deve agir: Faça Boa Arte. É Sério."
Neil Gaiman fala também que é bom cometer erros e recomenda que todos devem cometer erros fantásticos. Outro conselho que é sempre bom ouvir e é um conselho que eu, pessoalmente, acho difícil levar da teoria e colocar na prática. No fundo, cometer erros quer dizer que você tentou. Você saiu da zona de conforto.

Esses foram dois exemplos, mas o discurso inteiro é extremamente inspirador. Recomendo muito a leitura do livro.
A parte gráfica é maravilhosa e é um daqueles livros que eu coloco na categoria de livros de cabeceira. Aqueles livros que contém conselhos e informações que vale a pena ler várias e várias vezes. Porque, no fundo, a gente esquece e é sempre bom relembrar. 

Editora: Intrínseca
Páginas: 80

24 de maio de 2014

Resenha: Sergio Y. Vai à América - Alexandre Vidal Porto

Sérgio Y é um jovem de classe média, com uma boa família e uma vida considera boa. Contudo, ele se considera infeliz. Sérgio busca ajuda consultando com o psiquiatra Armando, narrador do livro, e depois de algumas consultas ele abandona o tratamento.
Armando fica intrigado com a súbita desistência do paciente e com alguns acontecimentos nos anos seguintes e decide buscar entender o que aconteceu com Sérgio Y.
É uma narrativa curta e não quero estragar o pequeno suspense existente comentando muito mais sobre o enredo. Eu gostei muito do livro. O desenvolvimento dos personagens foi excelente. Admiro muito autores que conseguem envolver o leitor com a história, desenvolver os personagens e o enredo em poucas páginas.
Alexandra Vidal Porto também aborda a questão da sexualidade e deslocamento na sociedade de uma forma muito interessante. Luiz Ruffato comenta na contracapa do livro que o autor lida com um tema-tabu com muita competência e eu concordo com a afirmação. A minha leitura de “Sérgio Y. Vai à América” coincidiu com uma aula de sociologia sobre a história da sexualidade e isso não poderia ter sido melhor.
A sexualidade ainda é um tema visto como um tabu por muitos e ainda existe uma grande exclusão e deslocamento de pessoas “diferentes” na sociedade. Acredito que o medo da exclusão, mas a coragem e necessidade de buscar a felicidade foram dois pontos muito bem abordados pelo autor no desenvolvimento do Sérgio. Tudo é retratado com uma naturalidade e em nenhum momento vira algo forçado.
"Por isso, a mensagem que eu gostaria de deixar aos mais novos é que acreditem que a felicidade existe. Vão atrás dela, mesmo que para isso vocês tenham que fazer uma coisa nova, que nunca imaginariam fazer. A felicidade vem da coragem de fazer algo novo." (p. 40)
É um livro sobre aquilo que não dizemos e sobre tentar entender uma pessoa com base em memórias. Mostra como um paciente, considerado muito interessante por seu psiquiatra, impactou a vida do médico.
"Metaforicamente, a América era tudo o que eles já eram, mas ainda não tinham conseguido ser" (p.137)
Existe um pequeno suspense que deixa o livro completamente envolvido na narrativa e eu gostei como a história é fluída. Sem plot twists repentinos e sem acontecimentos desnecessários. É uma narrativa maravilhosa que eu fiquei extremamente feliz em acompanhar.

19 de maio de 2014

Resenha: Ao Farol - Virginia Woolf

O início do livro se ambienta em 1910, quando a família Ramsey e alguns amigos vão passar o verão em uma ilha. “Ao Farol” é um romance introspectivo, focado mais nos pensamentos e sentimentos dos personagens do que em uma sequência significativa de fatos.
Essa foi a minha primeira experiência com a narrativa de Virginia Woolf e eu gostei bastante. É diferente da maioria dos livros que eu costumo ler e diferente dos clássicos que eu já li. É uma narrativa única e maravilhosa.
Eu gostei muito de como a autora trabalhou a questão do tempo durante o livro. A primeira parte – anterior à guerra – ocupa mais da metade do livro e narra apenas uma tarde e uma noite. Enquanto isso, a segunda parte – durante o período de guerra – narra um período de quase dez anos em poucas páginas. Já na terceira parte o tempo volta a ser mais lento novamente.
A questão do enredo é basicamente o desenvolvimento dos personagens principais, os seus pensamentos, como veem a vida e como os impactos da guerra os afligem mais adiante. Os conflitos são internos aos personagens e o livro possui muitas passagens de pensamentos e fluxos de consciência.
Não é um livro de fácil leitura, mas o esforço inicial para se acostumar com a narrativa e com os personagens compensa ao chegar ao final de um livro maravilhoso. A forma como Virginia Woolf narra os impactos da guerra e da morte na mente dos personagens é incrível. Uma das melhores descrições de perda que eu já li.
“Ao Farol” é narrado em terceira pessoa, com poucos diálogos, poucas ações e intrigas. É um livro com um ritmo mais lento, contudo, a maravilha da narrativa está nessa lentidão. É aquele livro que me via relendo várias vezes a mesma frase de tão bem escrita que era e de tão bem que retratava o sentimento dos personagens. É uma narrativa muito bonita.
Não vou conseguir, nessa resenha, refletir como realmente é o livro. É difícil falar sobre o enredo e com certeza é um livro que exige futuras releituras para conseguir extrair por completo a sua essência. Eu gostei muito do livro, da narrativa e principalmente da terceira parte. Com certeza seguirei lendo as obras da Virginia Woolf.

15 de maio de 2014

Leituras de Abril (2014)

Oi gente,


Com um pouquinho de atraso, aqui está o vídeo com as leituras de abril. Já postei quase todas as resenhas, mas enfim, os comentários no vídeo são mais pontuais. Espero que vocês gostem do vídeo (finalmente consegui melhorar a qualidade de imagem e som) e me contem o que vocês andaram lendo nesse último mês!

11 de maio de 2014

Resenha: Vinte Garotos no Verão - Sarah Ockler

A paixão de Anna pelo irmão de sua melhor amiga deixa de ser platônica para ser real no seu aniversário de quinze anos. Matt finalmente toma a iniciativa e eles começam um relacionamento maravilhoso que dura algumas semanas.
As perfeitas semanas são interrompidas por um pela morte repentina e trágica de Matt. Deixando a sua família completamente perdida e Anna com o coração partido.
Anna é então convidada para passar alguns dias na praia com a família de Frankie. Frankie tem um plano, que se elas conhecerem um menino por dias – durante os vinte dias – provavelmente Anna irá encontrar seu romance de verão. Ela só não sabe ainda que o coração de Anna ainda bate por Matt.
Eu li muitos comentários positivos sobre esse livro, o que fez com que eu não levasse muito em consideração a sinopse – que provavelmente não faria com que eu escolhesse ler o livro – e desse uma chance. O livro acabou sendo bom, um jovem adulto contemporâneo de leitura fácil, envolvente e simples.
A história foi legal, contudo, eu senti que faltou algo que fizesse com que eu realmente tivesse uma boa experiência com a leitura. Acho que por tratar da morte súbita de alguém muito querido pelas personagens, a autora podia ter trabalhado muito melhor como isso as afetou. Podia ter existido um desenvolvimento diferente com os personagens e com essas férias de verão com uma família completamente desestabilizada. Várias cenas que eu lia, eu sentia que precisava de algo a mais. Tudo aconteceu muito rápido.
A narrativa em primeira pessoa permite que o leitor entenda a visão da Anna, mas nesse livro eu preferiria uma visão mais abrangente. Frankie é uma personagem extremamente complexa, cheia de camadas que acaba ficando de lado porque não temos acesso aos pensamentos dela. Anna se contradiz em muitos momentos e suas ações não condizem com quem ela diz ser, isso me incomodou um pouco porque tornou difícil ver a história pelos olhos dela.

Foi um livro envolvente, e eu realizei a leitura em poucos dias. Acredito que as altas expectativas que eu tinha trouxeram como consequência um pouco da decepção. Acho que pode agradar muita gente, mas infelizmente não funcionou comigo.

6 de maio de 2014

Tag: Livros Opostos

Oi gente,

Como eu não gosto de postar uma resenha atrás da outra e estou sem condições no momento de gravar vídeos (vou gravar um com as leituras de abril em breve), resolvi fazer esse post com fotos. 

A tag foi criada pelo Bruno do Minha Estante e quem me indicou foi a Jennifer do Meu Outro Lado.

1. O primeiro livro da sua coleção e o último livro comprado


Não sei se "O Diário da Princesa" é o primeiro da minha coleção, mas com certeza é um deles e foi também a minha primeira série de livros. "Bonsai" foi um dos últimos livros que eu comprei em uma visita a Livraria Cultura. 

2. Um livro que você pagou barato e um que você pagou caro


Essas edições de clássicos da Wordsworth são sempre bem baratinhas e vale muito a pena. Acho que eu paguei cerca de dez reais em "To The Lighthouse". Como "Maus" é uma graphic novel o preço foi maior do que eu costumo pagar nos meus livros, mas fico feliz em dizer que valeu cada centavo. É um dos meus livros favoritos.

3. Um livro com um protagonista homem e um com uma protagonista mulher


Com um protagonista masculino eu escolhi o Miles de "Looking for Alaska" e a protagonista feminina eu escolhi a Esther de "The Bell Jar". Gosto muito dos dois, por motivos diferentes e considero ambos livros como favoritos. 

4. Um livro que você leu bem rápido e um que você demorou para ler


"Boca de Ouro" eu li em algumas horas, é curtinho e é uma peça de teatro então acaba sendo uma leitura bem rápida. A minha leitura de "The Thief of Time" coincidiu com o ENEM e os meus estudos fizeram com que eu levasse praticamente um mês para concluir a leitura. 

5. Um livro com uma capa bonita e um com uma capa feia


Desde que eu li "O Apanhador no Campo de Centeio" eu quis ter uma edição com essa capa. Demorou um tempinho, mas eu finalmente agora tenho ela e posso ficar admirando na minha estante. É linda linda linda. Já a capa de "Lola e o Garoto da Casa ao Lado" eu não gosto muito por um simples motivo: pessoas! Sempre que tem pessoas na capa eu acabo não gostando tanto. Contudo, as capas novas dos livros da Stephanie Perkins nos Estados Unidos são maravilhosas. 

6. Um livro nacional e um internacional


Para livro nacional eu escolhi "O Céu dos Suicidas" do Ricardo Lísias, um livro que me surpreendeu bastante e que eu também recomendo bastante. Para livro internacional eu escolhi um dos meus clássicos favoritos, "O Morro dos Ventos Uivantes" da Emily Brontë.

7. Um livro fino e um livro grosso


"Carta a D." é o menor livro que eu tenho e "The Cuckoo's Calling" é um dos maiores (fiquei com preguiça de comparar ele com os outros, confesso). Ambos são muito bons!

8. Um livro de ficção e um de não-ficção


"O Palácio de Inverno" por mais que mencione acontecimentos históricos reais é uma história fictícia (e maravilhosa), já "Vozes Roubadas" é um compilado de diários reais escritos por crianças/adolescentes reais durante guerras reais.

9. Um livro meloso e um de ação


Eu gosto de "Anna o Beijo Francês", apesar de ter alguns probleminhas com um personagem fofo chamado St. Clair e a forma como ele age em alguns momentos do livro. Enfim, é um livro bem meloso. "Hobbit" é um livro cheio de aventuras e bem divertido.

10. Um livro que deixou você triste e um que deixou você feliz


Então, vocês já sabem que TFIOS me deixou triste, que é um livro triste e que provavelmente eu vou chorar muito no cinema (daqui umas semanas!!!). Ainda assim, vale ressaltar que eu recomendo muito a leitura. Um livro que me deixou feliz foi o adorável "Fangirl" da Rainbow Rowell. É simplesmente fofo e lindo (e a personagem é muito parecida comigo).

--

É isso! Espero que vocês tenham gostado e espero que eu consiga voltar com os vídeos em um futuro próximo. Quais livros vocês escolheriam para as categorias?

Gabi