19 de maio de 2014

Resenha: Ao Farol - Virginia Woolf

O início do livro se ambienta em 1910, quando a família Ramsey e alguns amigos vão passar o verão em uma ilha. “Ao Farol” é um romance introspectivo, focado mais nos pensamentos e sentimentos dos personagens do que em uma sequência significativa de fatos.
Essa foi a minha primeira experiência com a narrativa de Virginia Woolf e eu gostei bastante. É diferente da maioria dos livros que eu costumo ler e diferente dos clássicos que eu já li. É uma narrativa única e maravilhosa.
Eu gostei muito de como a autora trabalhou a questão do tempo durante o livro. A primeira parte – anterior à guerra – ocupa mais da metade do livro e narra apenas uma tarde e uma noite. Enquanto isso, a segunda parte – durante o período de guerra – narra um período de quase dez anos em poucas páginas. Já na terceira parte o tempo volta a ser mais lento novamente.
A questão do enredo é basicamente o desenvolvimento dos personagens principais, os seus pensamentos, como veem a vida e como os impactos da guerra os afligem mais adiante. Os conflitos são internos aos personagens e o livro possui muitas passagens de pensamentos e fluxos de consciência.
Não é um livro de fácil leitura, mas o esforço inicial para se acostumar com a narrativa e com os personagens compensa ao chegar ao final de um livro maravilhoso. A forma como Virginia Woolf narra os impactos da guerra e da morte na mente dos personagens é incrível. Uma das melhores descrições de perda que eu já li.
“Ao Farol” é narrado em terceira pessoa, com poucos diálogos, poucas ações e intrigas. É um livro com um ritmo mais lento, contudo, a maravilha da narrativa está nessa lentidão. É aquele livro que me via relendo várias vezes a mesma frase de tão bem escrita que era e de tão bem que retratava o sentimento dos personagens. É uma narrativa muito bonita.
Não vou conseguir, nessa resenha, refletir como realmente é o livro. É difícil falar sobre o enredo e com certeza é um livro que exige futuras releituras para conseguir extrair por completo a sua essência. Eu gostei muito do livro, da narrativa e principalmente da terceira parte. Com certeza seguirei lendo as obras da Virginia Woolf.

3 comentários:

  1. Oi Gabi,
    Ainda não li nada da Virginia Woolf, mas sem dúvidas, gostei da sua resenha.
    O livro parece ser denso - e apesar de parecer uma leitura que requer mais dedicação - a narrativa da autora deve super compensar!
    Acho interessante a questão de retratar perdas e pensamentos de forma diferente e fiquei curiosa. Espero poder lê-lo em breve.

    Beijos,
    Ká Andrade
    http://teens-books.blogspot.com.br/

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  2. Tenho um amigo que é apaixonado por essa autora e ele fala algumas coisas sobre as obras dela que me interessam. Não conhecia essa obra dela, acredito que seja uma leitura mais complicadinha do que estou acostumada a ler, mas fica a dica.

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com/

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  3. Oie!

    Não conhecia o livro, mas fiquei curiosa para ler, parece bom.

    Beijos

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