24 de maio de 2014

Resenha: Sergio Y. Vai à América - Alexandre Vidal Porto

Sérgio Y é um jovem de classe média, com uma boa família e uma vida considera boa. Contudo, ele se considera infeliz. Sérgio busca ajuda consultando com o psiquiatra Armando, narrador do livro, e depois de algumas consultas ele abandona o tratamento.
Armando fica intrigado com a súbita desistência do paciente e com alguns acontecimentos nos anos seguintes e decide buscar entender o que aconteceu com Sérgio Y.
É uma narrativa curta e não quero estragar o pequeno suspense existente comentando muito mais sobre o enredo. Eu gostei muito do livro. O desenvolvimento dos personagens foi excelente. Admiro muito autores que conseguem envolver o leitor com a história, desenvolver os personagens e o enredo em poucas páginas.
Alexandra Vidal Porto também aborda a questão da sexualidade e deslocamento na sociedade de uma forma muito interessante. Luiz Ruffato comenta na contracapa do livro que o autor lida com um tema-tabu com muita competência e eu concordo com a afirmação. A minha leitura de “Sérgio Y. Vai à América” coincidiu com uma aula de sociologia sobre a história da sexualidade e isso não poderia ter sido melhor.
A sexualidade ainda é um tema visto como um tabu por muitos e ainda existe uma grande exclusão e deslocamento de pessoas “diferentes” na sociedade. Acredito que o medo da exclusão, mas a coragem e necessidade de buscar a felicidade foram dois pontos muito bem abordados pelo autor no desenvolvimento do Sérgio. Tudo é retratado com uma naturalidade e em nenhum momento vira algo forçado.
"Por isso, a mensagem que eu gostaria de deixar aos mais novos é que acreditem que a felicidade existe. Vão atrás dela, mesmo que para isso vocês tenham que fazer uma coisa nova, que nunca imaginariam fazer. A felicidade vem da coragem de fazer algo novo." (p. 40)
É um livro sobre aquilo que não dizemos e sobre tentar entender uma pessoa com base em memórias. Mostra como um paciente, considerado muito interessante por seu psiquiatra, impactou a vida do médico.
"Metaforicamente, a América era tudo o que eles já eram, mas ainda não tinham conseguido ser" (p.137)
Existe um pequeno suspense que deixa o livro completamente envolvido na narrativa e eu gostei como a história é fluída. Sem plot twists repentinos e sem acontecimentos desnecessários. É uma narrativa maravilhosa que eu fiquei extremamente feliz em acompanhar.

5 comentários:

  1. Não conhecia o livro. Admiro muito também os autores que conseguem desenvolver bem os personagens, o enredo e ainda envolver o leitor. É um livro interessante, ainda mais que você disse que aborda um tema ainda considerado tabu na sociedade. Gostaria muito de ter a oportunidade da leitura dele ><

    Beijos
    http://mon-autre.blogspot.com.br/

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  2. Oi Gabi*
    Menina, eu sempre encontro livros novos aqui e belas dicas de leitura.
    Não conhecia este livro e fiquei bem interessada, gostei.

    Beijos

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  3. Oi Gabi!
    Não conhecia o livro, mas já tinha ouvido falar do autor. Adorei a premissa! Achei interessante o livro ser narrado por um psiquiatra contando a história de um paciente que o impactou! :)
    Parece ótimo, dica anotada!!
    Beijos,
    Ká Andrade
    http://teens-books.blogspot.com.br/

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  4. Oi, Gabi!

    Acabei de ver seu vídeo de leituras e fiquei, particularmente, interessada nesse livro. Vim aqui correndo pra ver o que você tinha escrito sobre ele. Fiquei interessada em lê-lo. Vou colocar na lista de futuras compras/leituras pra não esquecer. Espero conseguir lê-lo em breve. :)

    Beijos!

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  5. Estou lendo o livro. Realmente é muito bom.
    Narrativa envolvente.
    Parabéns pela resenha. Ótima sem spoilers :)

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