31 de julho de 2014

Book Haul: Julho

E eu não demorei um mês para postar outro vídeo! Faz muito tempo que eu não mostro os livros novos que eu andei comprando/recebendo, mas como em julho eu acumulei alguns livros bem legais, eu queria compartilhar. Espero que vocês gostem.

28 de julho de 2014

Resenha: Altos voos e quedas livres - Julian Barnes

Eu comecei a leitura de “Altos voos e quedas livres” sem um enredo muito definido na minha mente. Não tem nenhuma sinopse na contracapa do livro ou na aba lateral, diz apenas que é uma história sobre balonismo, fotografia, amor e luto.
De fato, o livro fala sobre tudo isso. Julian Barnes escreve esse livro quatro anos após a morte de sua esposa, tempo necessário para ele conseguir falar sobre todos os sentimentos que estiveram presentes na sua vida no período.  
A primeira parte do livro faz uma ligação entre balonismo e fotografia. Como “Você junta duas coisas que nunca foram juntadas antes. E o mundo se transforma. As pessoas podem não reparar na hora, mas isso não importa. Mesmo assim, o mundo se transformou” (p. 11) sendo as duas coisas, em primeiro momento, o balonismo e a fotografia. Como essa união mudou a perspectiva de várias pessoas. Como o balonismo permitiu as pessoas a voarem e a verem tudo de cima, de uma maneira diferente.
Em seguida, o autor comenta sobre as possíveis quedas da vida. Eu poderia comentar sobre como o autor faz isso de uma forma incrível, mas acho que deixar o paragrafo com as palavras dele é mais adequado:
“Nós vivemos na superfície, no nível horizontal, e no entanto – e por isso – nós sonhamos. Animais rasteiros, às vezes chegamos tão longe quanto os deuses. Alguns voam por meio da arte, outros da religião; a maioria do amor. Mas, quando voamos, podemos cair. Existem poucos pousos suaves” (p. 45).
Por fim, na terceira parte do livro intitulada “A perda da profundidade” o autor elimina os personagens que ajudaram a moldar as ideias anteriores e fala sobre o que ele passou após a morte de sua esposa. Essa foi à parte mais significante do livro, sem dúvida alguma. É possível sentir a dor dele através das frases e das situações comentadas. É possível perceber que ele não se via preparado para enfrentar a perda e que ninguém nunca está preparado para enfrentar uma perda. Acontece que “Toda história de amor é uma história de sofrimento em potencial” (p. 45) e quanto mais a história de amor é intensa e relevante, a parte do sofrimento acaba sendo igualmente intensa.
As três partes do livro, por mais distintas que sejam, se juntam de uma forma maravilhosa e proporcionam uma visão bem completa do sentimento de efemeridade e perda. O balonismo começa como uma metáfora de voo, seguindo pela ideia de possíveis quedas e por fim, essas ideias vistas na realidade do autor.

Eu recomendo bastante a leitura!

24 de julho de 2014

Leituras de Junho

Oi gente,


Não vou dizer que vou tentar voltar a postar no blog sem espaços tão grandes de tempo porque eu não sei se vou conseguir cumprir. Acontece é que a vida tá bem (bastante) legal e o tempo de sentar e escrever posts ficou bem menor. Enfim, com os vídeos de leituras do mês eu consigo compartilhar com vocês o que eu andei lendo e eu ainda não postei resenha de todos os livros que eu comento no vídeo de hoje, então espero que vocês gostem!

16 de julho de 2014

Resenha: Caninos Brancos - Jack London

“Caninos Brancos” é um dos livros que entra para a lista de leituras que realmente me surpreenderam.
Jack London vai abordar durante toda a narrativa a ideia de adaptação social. Como um animal considerado selvagem pode ser moldado a partir daquilo que acontece ao seu redor e a partir da maneira como ele é tratado. A narrativa em terceira pessoa acompanha Caninos Brancos, parte lobo e parte cão, durante a sua vida e durante os diferentes períodos em que ele teve diferentes donos. Esses donos são quem moldam Caninos Brancos dependendo de suas necessidades e expectativas.
Caninos Brancos percebe que é preciso se adaptar para sobreviver. É preciso entender as regras e entender que as regras vão mudando conforme as situações de vida mudam.
A minha parte favorita no livro, sem dúvidas é o capítulo sete. Vou comentar sobre essa parte mais detalhadamente na resenha porque eu acho que reflete bastante a ideia central do livro. Quando Caninos Brancos nasce, ele é mantido dentro de uma caverna por sua mãe. De dentro da caverna, ele vê a luz que vem do exterior e sempre que vai tentar sair sua mãe o puxa de volta. Condicionando ele a ficar dentro da caverna.
É ali onde Caninos Brancos aprende sobre as ‘leis’ da vida e aprende que quebrar essas leis resulta em consequências.
“Essas limitações e restrições eram leis. Obedecê-las era escapar da dor e contribuir para a felicidade”.
Após um tempo, a curiosidade e a vontade de descobrir o desconhecido falam mais alto que o medo do mesmo e Caninos Brancos vai explorar o lado de fora.
“O instinto e a lei exigiam dele obediência. Mas o crescimento exigia desobediência. A mãe e o medo o impeliam a manter-se longe da parede branca. Crescimento é vida, e a vida está sempre destinada a se aproximar da luz”.
O lado de fora permite que o desconhecido torne-se conhecido. Esse aprendizado não é algo fácil, é algo que causa dor e desconforto, mas é algo necessário de ser feito.
A partir desse primeiro contato com o mundo real, Caninos Brancos vai precisar se adaptar novamente a diversas situações e todas essas adaptações são feitas a partir de tentativas de erros e acertos. O narrador comenta diversas vezes durante o livro como Caninos Brancos faz isso inconscientemente, diferente dos seres humanos.

A narrativa de Jack London é incrível, a abordagem da temática da adaptação social e condicionamento de comportamentos é maravilhosa e com certeza é um livro que acrescenta muito ao leitor. É uma leitura diferente, uma leitura que foi me conquistando aos poucos e que eu recomendo muito. 

7 de julho de 2014

Resenha: Extraordinário - R. J. Palacio

August Pullman tem uma síndrome genética que faz com que ele tenha uma aparência diferente, uma deformidade facial. Aos 10 anos, seus pais decidem que é um bom momento para August começar a frequentar uma escola e deixar os estudos em casa de lado.
Ele tem completa noção que as pessoas se sentem desconfortáveis com a sua aparência, que elas ou ficam encarando ou desviam rapidamente o olhar. “Extraordinário” vai então acompanhar August, sua família e seus novos colegas nesse primeiro ano de escola.
"O legal de crianças pequenas é que elas não dizem coisas para tentar magoar você e, mesmo que às vezes façam isso, não sabem o que estão falando. Quando elas crescem, por outro lado... sabem muito bem o que estão dizendo." 
A narrativa é alternada entre diversos pontos de vista, o que permite o leitor uma visão completa e geral do que está acontecendo no universo do livro. Um desses pontos de vista que eu gostei bastante foi o ponto de vista da irmã mais velha de August e como ela tem um instinto protetor, uma maturidade inesperada para a sua idade e como no fundo, ela é uma adolescente normal e tem seus próprios problemas também.
A visão dos amigos de August também é bem explorada, como cada um foi se aproximando dele por motivos diferentes e acabam descobrindo que Auggie é uma criança legal e muito divertida.
O livro vai tratar bastante sobre bullying. Sobre como várias crianças julgam August por sua aparência e não tentam nem conhecê-lo melhor. Como algumas crianças o machucam de propósito e ainda acham graça da situação. Acredito que é um livro infanto-juvenil que explora essa temática muito bem e levanta questionamentos bem interessantes para o leitor.
Como, por exemplo, a inserção de pessoas diferentes na sociedade e como elas devem ser tratadas. Até onde o principio da equidade pode ser adaptado e quando a linha de superproteger alguém e impedir que essa pessoa tenha experiências de verdade é ultrapassada.
Como Olivia, a irmã mais velha de August, comenta após ele retornar triste da escola e dizendo que iria desistir, a escola não é fácil para ninguém. A linha entre analisar se August podia desistir devido a sua aparência diferente e utilizar isso como justificativa que ele não teria como se adaptar e ver que é um processo complicado e é preciso dar tempo ao tempo é tênue e eu gostei como isso foi abordado no livro.
"Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo”.
R. J. Palacio tem uma narrativa simples e muito agradável de ler. Eu demorei um pouco para engrenar na história, mas é um livro que tem um ritmo muito bom e os capítulos curtos o torna uma leitura rápida. A mensagem de “Extraordinário” é muito boa e não é dada ao leitor de uma forma forçada. Recomendo bastante a leitura.