28 de julho de 2014

Resenha: Altos voos e quedas livres - Julian Barnes

Eu comecei a leitura de “Altos voos e quedas livres” sem um enredo muito definido na minha mente. Não tem nenhuma sinopse na contracapa do livro ou na aba lateral, diz apenas que é uma história sobre balonismo, fotografia, amor e luto.
De fato, o livro fala sobre tudo isso. Julian Barnes escreve esse livro quatro anos após a morte de sua esposa, tempo necessário para ele conseguir falar sobre todos os sentimentos que estiveram presentes na sua vida no período.  
A primeira parte do livro faz uma ligação entre balonismo e fotografia. Como “Você junta duas coisas que nunca foram juntadas antes. E o mundo se transforma. As pessoas podem não reparar na hora, mas isso não importa. Mesmo assim, o mundo se transformou” (p. 11) sendo as duas coisas, em primeiro momento, o balonismo e a fotografia. Como essa união mudou a perspectiva de várias pessoas. Como o balonismo permitiu as pessoas a voarem e a verem tudo de cima, de uma maneira diferente.
Em seguida, o autor comenta sobre as possíveis quedas da vida. Eu poderia comentar sobre como o autor faz isso de uma forma incrível, mas acho que deixar o paragrafo com as palavras dele é mais adequado:
“Nós vivemos na superfície, no nível horizontal, e no entanto – e por isso – nós sonhamos. Animais rasteiros, às vezes chegamos tão longe quanto os deuses. Alguns voam por meio da arte, outros da religião; a maioria do amor. Mas, quando voamos, podemos cair. Existem poucos pousos suaves” (p. 45).
Por fim, na terceira parte do livro intitulada “A perda da profundidade” o autor elimina os personagens que ajudaram a moldar as ideias anteriores e fala sobre o que ele passou após a morte de sua esposa. Essa foi à parte mais significante do livro, sem dúvida alguma. É possível sentir a dor dele através das frases e das situações comentadas. É possível perceber que ele não se via preparado para enfrentar a perda e que ninguém nunca está preparado para enfrentar uma perda. Acontece que “Toda história de amor é uma história de sofrimento em potencial” (p. 45) e quanto mais a história de amor é intensa e relevante, a parte do sofrimento acaba sendo igualmente intensa.
As três partes do livro, por mais distintas que sejam, se juntam de uma forma maravilhosa e proporcionam uma visão bem completa do sentimento de efemeridade e perda. O balonismo começa como uma metáfora de voo, seguindo pela ideia de possíveis quedas e por fim, essas ideias vistas na realidade do autor.

Eu recomendo bastante a leitura!

3 comentários:

  1. Faz um tempo que tenho esse livro separado no ibook, mas não tinha muita certeza do que tratava e nunca parei para pesquisar. Gostei do seus comentários e das citações que destacou. Vou ler em breve.
    Beijos :)

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  2. Oi Gabi,
    Não conhecia o livro, mas fiquei encantada!
    A história parece ser lindíssima e estou curiosa para descobrir e entender mais todas essas fases do autor e suas referencias.
    Beijos,
    Ká Andrade
    http://teens-books.blogspot.com.br/

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  3. Li dele o livro "O Sentido de um Fim" e gostei muito.
    :)

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